Cristina da Dinamarca
Amanhã é o dia de abertura de uma grande exposição que a Tate Gallery dedica à obra de Hans Holbein.Na primeira vez que estive em Londres, visitei a National Gallery e dois dos postais que de lá trouxe representavam imagens de Holbein.
O primeiro mostrava um pormenor do famoso quadro Os Embaixadores (1533), que, por acaso, até já apareceu aqui, embora não vá fazer parte desta exposição.
O segundo (1538) dizia respeito ao retrato de uma mulher que na altura me chamou a atenção.
À direita, a mulher que sorri é Cristina da Dinamarca (1522-1590). Na altura teria 16 anos mas trajava já roupas de luto pelo primeiro marido, duque de Milão.
Ao lado do quadro, no museu, havia um texto em que se explicava que Holbein tinha sido enviado a Bruxelas para poder realizar o retrato daquela que se perfilava como possível nova esposa de Henrique VIII.
Holbein sabia que Henrique VIII gostava de retratos informativos. Por isso, esmerou-se na representação do rosto e das mãos, procurando a maior clareza possível. No fundo da tela, para não dispersar a atenção, nada mais há do que cor (o azul de que Holbein tanto gostava) e sombras (à direita, uma sombra longa e vertical; à esquerda, o efeito do próprio corpo da figura em face da luz). Ao todo, o pintor gastou três horas.
Há quem diga que Cristina parece quase contemporânea, alguém que um dia podíamos querer conhecer por aí. E conta-se que o próprio Henrique VIII simpatizou com a figura, pois, apesar de o casamento não se concretizar (Cristina viria a casar com o futuro Duc de Lorraine), o monarca inglês decidiu guardar o retrato na sua colecção pessoal.
Por mim, ainda hoje sinto um grande fascínio relativamente a esta personagem feminina de cuja vida não sei mais nada, mas de quem, entretanto, fiquei a conhecer mais uma representação que também acho muito bonita.
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