Tenho para mim que, para o melhor e para o pior,
moth deve ter sido uma das palavras preferidas de Virginia Woolf, pois ocorre com assustadora frequência em imensos livros dela.
Lembrei-me disso ontem, quando, a meio da noite, tive de ir à cozinha beber um copo de água e roçou pelo meu braço, mal acendi a luz, escuro corpo em voo vertiginoso na direcção da lâmpada.
Para gáudio de morcegos e pardais, durante o fim-de-semana os céus do Porto foram cruzados de dia e de noite por milhões de insectos semelhantes àquele. Mas ontem já não havia tantos. O da minha cozinha seria provavelmente um espécime desfasado que decidiu entrar por ali dentro por não estar a perceber grande coisa da vida dele.
De resto,
moth pode significar
mariposa ou
traça.
Quando estou de bem com Virginia Woolf leio
mariposa. Mas se, por algum motivo, acontecer estar chateada com ela, opto por ler
traça.
Depois, hoje de manhã já não consegui avistar a traça/mariposa, por esta altura possivelmente a desintegrar-se no canto mais recôndito da cozinha.
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