
Falávamos
ontem da estranha relação do guarda-chuva do
José Mário com o guarda-chuva de
Benoni, e das inesperadas intrusões da literatura no quotidiano.
Como lembrou o José Mário (JM), no sábado, depois de revisitar brevemente os quatro volumes já publicados do
Alexandre (AA), também se verificam, de vez em quando, infiltrações do quotidiano na escrita. E a blogosfera pode funcionar como um bom observatório de tais intromissões. É só comprovar nas rubricas
Leituras em Lugares Públicos (reais, certificou-se JM) e
Gatos Perdidos (imaginários) de
Umblogsobrekleist.
As narrativas de AA não são muito
quotidianas. Têm regras próprias. O JM ainda perguntou se AA nunca tinha sentido a tentação de misturar a História com a história, mas AA disse que só se fosse com personagens de tempos diferentes misturando-se, fios narrativos em curto-circuito.
(O diabo a quatro, portanto.)No contexto das regras próprias, houve outras boas perguntas:
poderá na ficção de AA haver, de futuro, mais espaço para o aprofundamento psicológico das personagens?,
Como evoluirá AA enquanto ficcionista?A estas, AA respondeu com outra pergunta:
a ausência de psicologia perturba a leitura destes textos?E aproveitou para falar de Gretchen Bled −do conto
Projecto Malogrado do Restauro de um Fresco Atribuído a Lorenzo Lotto; Montegranaro, Primavera-Verão de 1997 (in Cinco Contos sobre Fracasso e Sucesso, Má Criação) −, considerando-a a sua personagem com mais densidade psicológica, apesar de, no fim deste conto, o leitor continuar a desconhecer quase totalmente o passado e o futuro dela e não perceber a 100% se é de lucidez e iluminação ou de fechamento total sobre si e perda da razão o momento em que ela supostamente decifra um pormenor do fresco do título.
(E este, por acaso, é um dos textos dele de que mais gosto.)Depois, pronto. As francesinhas do
Capa Negra quase nunca nos deixam ficar mal mas é melhor comê-las só de três em anos quando gostamos do nosso figadozito. Os anfitriões da Sargadelos foram extremamente simpáticos. Também estava o Jorge Palinhos. E as pessoas na rua mandavam-nos parar porque queriam fazer festinhas à
Alice.