Nos nossos ritmos mais incompreensíveis e imperceptíveis

Presidiariamente (nenhum barco avança)
Álvaro Lapa (2004)
Há uma exposição de Álvaro Lapa na galeria Fernando Santos (rua Miguel Bombarda). E o belíssimo texto que José Gil escreveu para o catálogo está disponível no site:
«As sensações sentem-se como imagens e movem-se como pensamentos. Uma claridade azul escoa-se e associa-se a uma certa expansão do espaço, um fragmento de ruído a uma viscosidade no chão. [...]
E o que liga um elemento a outro é um ritmo ou força de afecto. [...] O “afecto”, aqui, está aquém da emoção, do sentimento, das “paixões” de um sujeito. São afectos de intensidades, ritmos ou fragmentos de ritmos sem rosto. Por isso a pintura de Álvaro Lapa procede por alusão afectiva sem emoção. [...]
As imagens visíveis “afundam-se”, grandes vazios vêm agora separar elementos que restam e que se associam segundo a lógica da alusão afectiva, quer dizer segundo leis inimagináveis do que poderíamos chamar uma sintaxe negativa. [...]
Assim, Álvaro Lapa detém o princípio de extensão infinita, cósmica, do plano, à maneira de Mallarmé; enquanto nos mostra que nos primeiros esboços dos nossos ritmos mais incompreensíveis e imperceptíveis fazem-se e desfazem-se já as primeiras linguagens da arte.»
Etiquetas: Pintura













