seta despedida

blogue de Alexandra Barreto sobre palavras, imagens e pessoas setadespedida@yahoo.co.uk

Terça-feira, Dezembro 06, 2005

Blogue em repouso


em Aurora, de Murnau

Domingo, Dezembro 04, 2005

Where all the ladders start

No (admirável) Rois et Reine, de Arnaud Desplechin, um dos meus momentos preferidos é aquele em que Ismaël, a personagem de Mathieu Amalric, se vê obrigado a confessar à psiquiatra um estranho sonho que envolve a coroação da rainha da Inglaterra e um problema da tradução francesa de uns versos de Yeats.

Segundo Ismaël, e isto para ele era uma questão muito importante, nos versos «Now that my ladder's gone/I must lie down where all the ladders start», «I must lie down» nunca deveria ser transposto para «eu agonizo» como na tradução francesa tradicional, mas sim para «eu repouso», visto que só esta segunda hipótese é capaz de transmitir as noções de ressurreição e de novo começo implícitas nos versos de Yeats.

Estes versos podem ser encontrados na terceira parte do poema The Circus Animal’s Desertion:

«Those masterful images because complete
Grew in pure mind, but out of what began?
A mound of refuse or the sweepings of a street,
Old kettles, old bottles, and a broken can,
Old iron, old bones, old rags, that raving slut
Who keeps the till. Now that my ladder's gone,
I must lie down where all the ladders start
In the foul rag and bone shop of the heart

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