Espelhos e imagens

Pormenor de La Dame à la licorne
(tapeçaria do Museu de Cluny)
No primeiro texto do livrinho de contos intitulado Contos da Imagem, de Fiama Hasse Pais Brandão (Assírio&Alvim), uma das personagens principais é um visitante do Museu Cluny tão obcecado pelas imagens de uma tapeçaria que lá encontra que se deixa ficar dias e dias encerrado no museu, passando despercebido aos vigilantes.
Nesta tapeçaria é possível observar uma figura feminina segurando um espelho em que se revê o unicórnio que está encostado «amorosamente» «à coxa esquerda dela».
Na antepenúltima página do texto, o visitante é nomeado e percebemos que se trata de Rilke.
No fim do texto, a aia da figura feminina sai da tapeçaria com o espelho. E Rilke troca um livro pelo espelho roubado.
«Se o Unicórnio é demiurgo da sua própria imagem, pensa o visitante, o mundo está explicado. Se a imagem permanece, mesmo depois do seu afastamento ou, até, antes de chegar a poisar a cabeça doce no regaço de Claude, então o mundo está explicado e, nesse caso, a memória será omnipotente ou omnipresente.» (p.11)
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