seta despedida

blogue de Alexandra Barreto sobre palavras, imagens e pessoas setadespedida@yahoo.co.uk

Quinta-feira, Outubro 27, 2005

Alexandria sob as águas


Sacersotisa de Ísis

Devido a vários tremores de terra no passado, existe um museu em Alexandria que só os mergulhadores podem visitar, fiquei a saber na primeira reunião da Comunidade de Leitores.
(A ver se em breve arranjo tempo para investigar isto.)

SMSs que me enviam

Há um café à beira da estação de Campanhã que vende guarda-chuvas de chocolate.

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Traça um semicírculo de não sei que emoção

Uma vez ouvi um grande maestro que no início da carreira se tinha dedicado bastante à obra de Mahler dizer que, mais velho, deixou de conseguir sequer ouvir gravações deste compositor.
E isto acontecia não pelo facto de estar farto de Mahler, mas, pelo contrário, por sentir que já não conseguia escutar Mahler sem ficar «todo rebentado por dentro, com o coração prestes a explodir», como se finalmente o entendesse demasiado bem.
Depois de ter devorado tanto Thomas Bernhard por volta dos 18, 20 anos, estou agora a ler outro romance dele e a sentir uma coisa parecida.

Até me lembrei de uns versos de Álvaro de Campos

que mais ou menos dizem que podemos acabar, como os narradores de Bernhard, a chorar de ternura por aquilo que desprezamos:

«A fraternidade afinal não é uma ideia revolucionária.
É uma coisa que a gente aprende pela vida fora, onde tem de tolerar tudo,
E passa a achar graça ao que tem de tolerar,
E acaba quase a chorar de ternura sobre o que tolerou

José Gil, aliás, escreveu sobre isto:

«Para se exprimir, [a força singular] é obrigada a deslocar, desviar, a transformar um conjunto de elementos que a habitam do interior e que formam as forças do mundo – como se o exterior estivesse no interior.» (p.278)

«Porque nunca estou fora do sistema onde quero aparecer, o sistema está de tal modo em mim que o pôr em andamento a minha força age sobre o mundo e retroage simultaneamente sobre a minha força. Não é do exterior que enfrento o mundo, estou implicado nele de tal maneira que corro o risco, de cada vez que desencadeio a minha força, de a entravar definitivamente, ou de a fazer derrapar numa imparável vertigem de expressão.» (p.281)

in A Imagem-Nua e as Pequenas Percepções
(Relógio d’Água)

Estamos implicados mesmo naquilo que queremos rejeitar.

Esta conclusão levou de repente a que o meu estado se acalmasse

«Esforcei-me por a reduzir ao silêncio, mas ela não se deixou sufocar. E não a disse apenas, papagueei-a várias vezes para mim próprio, a fim de a tornar ridícula, mas com essas minhas tentativas de a sufocar e tornar ridícula ela ficou ainda mais ameaçadora. Tinha, de súbito, um peso que nenhuma outra frase minha tivera. Contra esta frase não podes fazer nada, disse eu para comigo, vais ter de viver com ela

in Extinção, de Thomas Bernhard, Assírio&Alvim, p.29-30

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Teoria das cores

Alguns frutos devem ser comidos verdes e amargos.
Por isso, os fruteiros retiram-nos das bancas assim que eles começam a pintar.
É o caso de certos citrinos. Por exemplo, as tângeras.

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Mais importante

«O Malraux disse uma coisa muito bonita: o mais importante no homem não é o que ele mostra, mas o que ele traz escondido. É isso que os escritores procuram, então, desvendar

Lygia Fagundes Telles
em entrevista de Jorge Marmelo
(Mil Folhas de sábado)

Blogue de mão aberta



Um pouco de Cesariny para o aniversário de Elsinore.

Quinta-feira, Outubro 20, 2005

Outubro

Lápis para os olhos cor de ameixa.

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Quarta-feira, Outubro 19, 2005

Fetiches de trazer pelo supermercado

Frascos de mel com número de telemóvel do produtor.
Não sei porquê, imagino logo o produtor a convocar reuniões graves e urgentes com as abelhas a seguir a telefonemas de compradores empenhados no controlo de qualidade.
E, depois, as abelhas falsamente compungidas, a ouvi-lo disparatar sobre a cor e a transparência do mel, o recurso excessivo a pólen de flores silvestres, os prazos, os custos, a produtividade.
Se ao menos o número de telemóvel fosse o das abellhas...

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Para breve

Avançar contra o vento pelo passadiço de Espinho. Aquela madeira andou à deriva no mar.

Para ler todos os dias

Arquivo Fantasma

Terça-feira, Outubro 18, 2005

hoje vemos por um espelho


Por que é que ainda não tinha a banda sonora que comprei hoje? No filme, há aquela cena com o vidro espelhado.

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Smileys mais criativos

O smiley saudades: uma espécie de gato ruivo, tigrado, a olhar para uma sarjeta tapada com grade, mas com penas ao fundo.

Smileys mais criativos

O smiley Sissi: com tiara de imperatriz, cabelo comprido e vestido de cerimónia.
Legenda a estudar, mas qualquer coisa como «eu como cubos de gelo à sobremesa, meu».

Atrasaditos mas bem-intencionados

Obrigada:
Alexandre, Carla de Elsinore, Luís, Ana.

Segunda-feira, Outubro 17, 2005

Fins-de-semana

No sábado, troquei com a Cristina um livro de teatro por dois DVDs com sonhos de luz.
Depois, contei-lhe que qualquer quiosquezito de Viena tem postais turísticos de Thomas Bernhard com ar tão fotogénico como na imagem que ela publicou. Rimo-nos um bocado com a brincadeira, porque ele deve estar a dar voltas no túmulo.
Decidi ler o Extinção.


em El Sol del Membrillo
(O Sol do Marmeleiro – O Sonho da Luz)
de Victor Erice (1993)


«A realidade só se entrega se soubermos esperar e, às vezes, renunciar

Victor Erice
num dos extras do DVD emprestado

Domingo, Outubro 16, 2005

Comunidade de Leitores

Na Biblioteca Almeida Garrett, quinzenalmente, às 21 horas.

A Biblioteca de Alexandria: o papel da utopia ontem e hoje
Orientação
: Rogério de Sousa

Programa

26 de Outubro
Apresentação.
Contextualização histórica da Biblioteca de Alexandria.
A cidade e seu papel no mundo helenístico.

7 de Novembro
A literatura egípcia. Textos sapienciais, narrativas e poesia.
O diálogo do homem desesperado com o seu “ba” e a Canção do Harpista, de Herberto Helder.
Poemas de Amor do Antigo Egipto.

21 de Novembro
O Judaísmo em Alexandria: a Bíblia dos Setenta.
Os textos bíblicos de Alexandria. A Sabedoria e o Eclesiastes.

6 de Dezembro
A ciência e o misticismo alexandrinos. Os avanços científicos dos sábios de Alexandria. O esoterismo e o desenvolvimento da tradição hermetista.
Ética a Nicómano, de Aristóteles, e Fedro, de Platão.

10 de Janeiro
Os mitos alexandrinos na literatura ocidental.
António e Cléopatra, de William Shakespeare.
Poemas escolhidos da colectânea 90 e Mais Quatro Poemas, de Cavafy.
Poema «Na sombra Cléopatra jaz morta», de Fernando Pessoa.

24 de Janeiro
O ressurgimento de Alexandria e da Biblioteca Alexandrina.
Justine, de Lawrence Durrel.

Inscrição: 5 euros.

Sábado, Outubro 15, 2005

Shy, nocturnal creatures

Quando, um pouco antes do Nobel da Literatura, foi anunciado o Booker Prize 2005, saiu um artigo bastante interessante sobre a reacção de John Banville, o premiado.
Neste artigo, é encarado como uma espécie de bicho raro da literatura simplesmente porque pretende afirmar-se como artista culto da língua, sem receio de palavras menos frequentes ("flocculent", "cinereal", "crepitant" ou "velutinous"), nem fuga às referências literárias.
Em apenas quarenta minutos de entrevista, Banville citou Beckett, Dostoievsky, Roy Foster, Henry James, Gore Vidal, Thomas Hardy, Yeats e Joyce, salientou a autora do artigo, um pouco espantada pelo facto de, além disso, Banville não demonstrar grande ressentimento por não ser um bestseller.
Deve ter sido neste contexto que Banville (antes do anúncio do Nobel, recorde-se) citou precisamente Harold Pinter como exemplo do autor que não abdica das convicções relativamente àquilo que a escrita e a literatura devem ser, e insiste em continuar, contra a incompreensão ou não adesão de algum público e a má recepção da crítica.

Dois outros momentos particularmente deliciosos do mesmo artigo

  • Quando se fala de como a sua primeira mulher descrevia o aspecto e comportamento de Banville sempre que este estava envolvido na escrita de mais um livro:
    «His first wife, he says, once likened his demeanour at such times to that of "a murderer who's just come back from a particularly bloody killing"
  • Quando Banville refere que já está a trabalhar num novo livro, de que revela não só o assunto, mas também a primeira frase:
    «He explains that the book is based on a story of the gods, in which Jupiter bullies Mercury to extend the night-time so that he can seduce a girl. "And Mercury is very resentful, sitting there in the dark, not allowing the dawn to come up, and he says, 'Of all the things we gave them that they might be comforted, dawn is the one that works.' That is my first sentence."»

Sexta-feira, Outubro 14, 2005

Zapping

Read the heart, not the letter.

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Quinta-feira, Outubro 13, 2005

Estou contente


Harold Pinter
(de mão fechada)
por Tristram Kenton

Prémio Nobel da Literatura

«I've acted in 15 or so Pinter plays, and what I've found is that you have to get yourself into a really extreme state of emotion before you go on stage. You have to be at a pitch of tears, or of very intense violence or anger, almost psychotic. Then you have to walk on stage, absolutely brimful of emotion and tears, and say, quietly, something simple like, "Sit down."»

Douglas Hodge (actor)

Palavras

Em inglês, o adjectivo Pinteresque foi criado para caracterizar situações semelhantes àquelas que marcam as peças de Harold Pinter: momentos de ameaça latente e de conflito disfarçado em linguagem demasiado normal.

A título de curiosidade, aqui ficam algumas citações com que o Oxford English Dictionary Online (com link, mas avisando que o acesso se paga bem pago) ilustra o uso desta palavra e de outras derivadas:

1974 Listener 13 June 754/1 Suddenly everyone..talked like overheard conversations on buses. They invented a word for it Pinteresque.
1967 Listener 1 June 727/1 The Dick Emery Show..contained a sketch by Harold Pinter... The sketch..was a small masterpiece, quintessentially Pinterian. Two aging women have tea together, and the conversation..is about a friend who used to go to the butcher's regularly on Wednesdays but now, since she's moved, doesn't go quite so much.
1975 Broadcast 3 Nov. 14/3 Old Times by Harold Pinter..seems to epitomize ‘Pinterism’ relaxed circumambient dialogue with lots of significant spaces between the words.

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Quarta-feira, Outubro 12, 2005

A perigosa melancolia das setas


Outro esboço para Hércules e a Hidra
de John Singer Sargeant (1921-1925)

Sófocles usou o termo melancholos para referir o sangue negro da Hidra em que Hércules, voluntariosamente, mergulhou as setas que tinha trazido para o confronto, pelo sim, pelo não.
A Hidra era monstruosa, e os seus fluidos embeberam perigosamente as setas.

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Especialistas em setas

Anos depois, chamava-se Nessus, o raptor apaixonado da mulher de Hércules.
E Hércules atingiu Nessus com uma das setas que tinham absorvido os fluidos melancólicos da Hidra.
E Nessus foi abatido. Mas, antes de sucumbir, convenceu aquela mulher que o sangue dele devia ser usado como filtro amoroso para que ela nunca perdesse Hércules.

Nessus era um centauro, e toda a gente sabe como os centauros entendem de setas.
Por isso, a mulher de Hércules lavou as vestes do herói no sangue do centauro morto sem sequer desconfiar que pela seta afundada no sangue negro se tinham transmitido ao sangue de Nessus os próprios poderes letais do monstro de nove cabeças. E que assim estava a consumar não só a vingança da Hidra, mas também a do próprio centauro ressentido, precipitando a morte de Hércules.

(Que teria ocorrido se os deuses não tivessem chamado Hércules já na pira funerária para o deixarem ascender ao Olimpo.)

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Moral das setas


Hercules shooting Nessus

Tudo aquilo que, melancólico, mergulha pode acabar por subir.
É possível que aquilo que despedimos acabe por voltar para nós.
Para ou contra nós.

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Leitura recomendada

Melancolia, ou alegoria do génio, no excelente Linha dos Nodos.

Porque o génio, quando nasce, não é para todos.

Actualmente, o sonho melancólico de Sarah Morton é poder alimentar-se exclusivamente de aperitivos salgados e crocantes, latas de caju, batatas fritas de sabores em cuja grafia participe a letra kapa (churrasko, ketchup, paprika, etc.).

Terça-feira, Outubro 11, 2005

O mergulho das setas


Esboço para Hércules e a Hidra
de John Singer Sargeant (1921-1925)

A Hidra tinha corpo de serpente e nove cabeças com hálito nauseabundo. Pensava-se que fosse um monstro invencível porque era venenoso o sangue lhe corria nas veias e, sempre que alguém conseguia cortar uma destas nove cabeças, outra crescia imediatamente naquele lugar.

Só Hércules soube encarar a Hidra de forma hábil e profissional.
Na luta com a Hidra, conseguiu cauterizar o pescoço de cada cabeça decepada, impedindo, assim, novos ferozes apêndices de crescer. Como a nona cabeça não podia ser cortada, prático, Hércules esmagou-a à paulada e colocou-lhe um pedregulho por cima.

Concluída a refrega, bem derrotada a Hidra, Hércules, no entanto, não quis desperdiçar o valioso veneno deste sangue potencialmente letal. Por isso, mergulhou cuidadosamente, uma a uma, todas as setas que trazia no líquido negro e espesso que se esvaía dos ferimentos do monstro moribundo.

[continua]

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Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Anos e anos de melancolia

Muito a propósito, o número especial da Magazine Littéraire sobre a melancolia como nó de cruzamento entre a filosofia, a medicina e a história das formas, em sintonia com a exposição Mélancolie: Génie et folie en Occident, no Grand Palais, a partir de 13 de Outubro.
A melancolia não enquanto tristeza vaga, mas como algo violento e furioso que desintegra as ligações, rompendo com os mecanismos de identificação e todas as vias de comunicação.
Aquela que pode, mesmo assim, acabar por dar origem à criação. Uma espécie de princípio alquímico que empreende a dissolução da matéria para, às vezes, a reconstituir.


Melancolia
de Lucas Cranach, o Velho (1532)

Domingos à tarde no Porto

Por uma ironiazita de mau gosto do acaso, há duas ou três semanas, num destes domingos, almocei não só no mesmo restaurante mas também numa mesa em frente de Rui Rio e comitiva constituída pelas pessoas de não muito bom aspecto que ontem apareceram com ele durante o discurso de vitória nas eleições para a presidência da câmara do Porto.
No restaurante, rápido, Rui Rio movia-se com confiança total. Almoçou aquilo que me pareceu cabrito assado. Bebeu duas cervejas sem álcool. Não pediu sobremesa.
O restaurante era muito perto de Serralves, mas, curiosamente, não me aconteceu avistá-lo, ou à sua companhia, também por lá.

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Domingo, Outubro 09, 2005

Penas ao fundo da sarjeta

Era uma grade a cobrir uma sarjeta. Um gato ruivo, tigrado, de patinhas às riscas e olhos verdes muito claros, tentava aliciar quem passasse para a retirar.

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Cefaleias de fim-de-semana

Em cima da cama, de cabeça pousada sobre o lado que dói, observar o céu sem exercício de artes divinatórias.
Pela janela aberta, os pássaros, os aviões.
Dimensões. Velocidades. Técnicas de voo. Horários. Objectivos. Direcções preferenciais.

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Quinta-feira, Outubro 06, 2005

Quantos são hoje?

Isto é um aviso.
Não se aproximem da montra da Papélia de Santa Catarina. Não espreitem para dentro da loja. Nada de se deixarem levar pela audível animação ao fundo do corredor.
Já há decorações de Natal à venda.
Mas eu hoje saí de lá sem o medalhão da rena azul que custava €8.60, nem o sino de vidro (sonoro e transparente) encimado por uma sílfide.
Saí, saí.

Quarta-feira, Outubro 05, 2005

Teoria das cores

Rosa faísca, rosa plim.

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Didascálias


Flying
de Paula Rego

Peter “is never touched by any one in the play,” a stage direction in Peter Pan reads.

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Segunda-feira, Outubro 03, 2005

Sabia que?

Há registos de cartógrafos que assinalam uma povoação fictícia ou uma rua inventada no mapa em que estão a trabalhar. Enciclopédias com artigos que referem realidades inexistentes. E dicionários com entradas forjadas por lexicógrafos.
Parecem impulsos típicos de personagens de Borges, mas, na realidade, estes actos têm a ver com uma estratégia mais comum do que se pensa, movida pelo objectivo de proteger o copyright de obras de consulta em face de concorrentes com vocação copista altamente acentuada.

Em obras de língua inglesa, ficaram famosos alguns dos verbetes que foram detectados. Gracinhas como: zzxjoanw, o suposto tambor maori referido na última entrada de The Music Lovers’ Encyclopedia; o compositor-fantasma Esrum-Helleru do New Grove Dictionary of Music; ou, mais recentemente, a palavra esquivalience, que o New Oxford American Dictionary definia como «fuga às responsabilidades».

Em inglês, algumas pessoas chamam mountweazels a estas entradas. O termo tem origem num criativo e pormenorizado artigo que a New Columbia Encyclopedia dedicava em 1975 a uma senhora chamada Lillian Virginia Mountweazel, imaginária designer de fontes precocemente desaparecida aos 31 anos que teria adquirido notoriedade como fotógrafa de uma série de marcos de correio em aldeias americanas.

Mais pormenores sobre a criação e a descoberta da entrada esquivalience.

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