seta despedida

blogue de Alexandra Barreto sobre palavras, imagens e pessoas setadespedida@yahoo.co.uk

Quinta-feira, Junho 30, 2005

Alguma certeza deve porém existir


O Eclipse
Realização: Michelangelo Antonioni
Argumento: M. Antonioni e Tonino Guerra
Papéis principais: Monica Vitti, Alain Delon

Numa entrevista, Antonioni considera que este é um filme optimista, apesar de ali as relações amorosas não funcionarem:

«If these characters can give up an affair that is just beginning, it is because they have a certain confidence in life. Otherwise, to speak in ugly old words, if they thought they could not survive the grief of having lost love, they would not have renounced each other but would have met again

Nesta perspectiva, segundo o realizador, o filme aproximar-se-ia dos seguintes versos de Dylan Thomas, no poema «Out of the sighs»:

«There must, be praised, some certainty,
If not of loving well, then not
»,

que já vi traduzidos assim:

«Alguma certeza deve porém existir,
se não a de amar bem, ao menos a de não amar».

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Quarta-feira, Junho 29, 2005

Parabéns (com muitos juros de mora)

ao meu blogue maximalista preferido.
(Dois anos, essas coisas, blabá.)

Segunda-feira, Junho 27, 2005

Incluindo post com frase de Maria Judite de Carvalho

José Mário Silva, minimal e a solo: letra minúscula.

Clouds in my coffee



No sábado, 25 de Junho, Carly Simon fez 60 anos.
Carly Simon é autora e intérprete de uma das minhas canções preferidas: You're so Vain.
Há quem diga que nesta letra reside um dos maiores, quiçá o maior, dos mistérios da história do rock. Na Wikipédia até há uma entrada dedicada à questão, e no site oficial da cantora é possível encontrar excertos das respostas que Carly foi dando à pergunta que, ao longo dos anos, lhe faziam em praticamente todas as entrevistas que aceitava: que amante dela terá inspirado a canção? Mick Jagger, Cat Stevens, Warren Beatty, Kris Kristofferson ou James Taylor?

Dir-se-ia, no entanto, que a canção gira em torno não de um homem específico, mas do próprio conceito de vaidade, das suas poses e armadilhas circulares («You're so vain, I'll bet you think this song is about you/ Don't you? Don't you?»), e além disso consegue sobreviver a todo o folclore de sexo e supostas traiçõezinhas que ela própria refere.

... Aliás, para dizer a verdade, sim, valorizo esta canção como uma pequena jóia pop de observação irónica, mas não é só isso: simpatizo com Carly Simon desde que a vi confessar num talkshow que sofria de ansiedade e estava sujeita a ataques de pânico tão intensos que tinha de pedir a alguém que lhe desse a mão para conseguir acalmar.

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Quarta-feira, Junho 22, 2005

Coisas que nem sempre aprendemos com os pássaros


em O Espelho
de Tarkovsky

A imagem é muito conhecida, mas só há pouco tempo descobri este fotograma com aquilo que se diz no filme quando ela se torna visível.
Aqui a deixo, como uma espécie de guardiã do blogue, enquanto, por sua vez, o fim-de-semana prolongado fica a tomar conta de mim.

(Feriado municipal do Porto na sexta-feira. Martelinhos, rusgas, manjericos, balões incandescentes em rotas descontroladas pelos céus, farturas com possíveis recheios apocalipticamente coloridos, disputas políticas sobre fogo-de-artifício.
Ai de quem fica.)

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Condições

Passam-me para a mão um Grande Reportagem de onze de Junho com Helena Almeida na capa.
Um dia hei-de conseguir aproximar-me daquele ar de bruxa urbana prestes a partir para Veneza.
Mas hoje contentava-me em perceber como é possível falar só de «condição feminina» a propósito da obra de Helena Almeida, em vez de «condição humana».
É impressão minha, ou nunca se fala de «condição masculina» a propósito da obra de homens que são artistas plásticos?


Eu Estou Aqui / I am Here
Helena Almeida (2005)

História da língua invade capas de jornais e revistas: «férias polémicas»

  • Proposta de data das supostas ocorrências inaugurais desta curiosa associação lexical:
    circa Junho de 2005 (?).
  • Proposta de título de tese subordinada a este tema:
    Uma história de ascensão e queda: da Presidência da Comissão Europeia às aventuras de João Pinto e Marisa Cruz.

Terça-feira, Junho 21, 2005

Pérolas de sabedoria pop

Em criança, James Thurber perdeu parcialmente a visão quando o irmão, na brincadeira, disparou uma seta contra ele, e acertou.
Há quem diga que foi este acidente que lhe estimulou a imaginação porque o impediu de viver uma infância normal, afastando-o precocemente dos colegas e dos jogos próprios da idade.
Thurber, um dia, escreveu isto:
«Humour is emotional chaos remembered in tranquillity.».
Muitos anos depois, li esta frase num horóscopo e dei-me ao trabalho de a copiar para um post-it que colei ao monitor do meu computador.
Mas o caos emocional persiste.

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All right, have it your way--
you heard a seal bark!
(Couple in bed, seal looms behind headboard.)
Cartoon de James Thurber
in The New Yorker, January 30, 1932

Segunda-feira, Junho 20, 2005

Há, mas são verdes.

As pessoas felizes são burras. E, além disso, não têm potencial ficcional.’, revelou ao mundo o romancista recentemente premiado.
E outra pessoa qualquer poderia até acrescentar que verdes são os campos, de cor de limão.
Mas tinha de usar aquele tom.

Miopias

Se depender de mim, nunca hás-de conseguir ver-me de óculos.

Domingo, Junho 19, 2005

Avant d'arriver jusqu'à vous, avant de vous rejoindre, vous ne savez pas tout ce qu'il a fallu traverser.



«Toujours des murs, toujours des couloirs, toujours des portes, et de l'autre côté encore d'autres murs. Avant d'arriver jusqu'à vous, avant de vous rejoindre, vous ne savez pas tout ce qu'il a fallu traverser. Et maintenant vous êtes là où je vous aie mené, et vous vous dérobez encore. Mais vous êtes là dans ce jardin, à porté de ma main, à porté de ma voix, à porté de regard, à porté de ma main


L’Année Dernière à Marienbad
Realização: Alain Resnais
Argumento: Alain Robbe-Grillet e Alain Resnais

Fotografia: Sacha Vierney

Se nos cinemas não aparecer rapidamente algum filme que me apeteça ver, ainda invento para aqui uma rubrica originalmente intitulada «Filmes da minha Vida».
Para já, ficamos por aqui.

Sexta-feira, Junho 17, 2005

O corpo do poema é um corpo de leitura

[A propósito da chamada «poesia da experiência»:]

A poesia faz-se também a partir da leitura e não só a partir da vida. Determinadas leituras constituem experiências tão ou mais fortes do que as da vida.

Em face de um poema, é difícil traçar fronteiras entre o que vem da existência concreta do autor e aquilo que decorre da sua memória literária.

Gastão Cruz
(citado de memória, quase uma semana depois da sessão em que foi ouvido, na Feira do Livro do Porto)

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Quinta-feira, Junho 16, 2005

Em forma, sim. Mas devagar.

Aposto que ninguém notou, mas Sarah Morton não tem aparecido pelo blogue. As obsessões alimentares e as taças de gelados que quando colocadas sobre uma mesa pareciam mais altas do que ela estão agora a custar-lhe horas e horas de caminhadas à beira-rio.
Sim, horas e horas e horas, ao fim do dia, por entre cães mimados, pescadores incompetentes e aves pouco conhecidas que efectuam piruetas parvas e emitem sons profundamente irritantes.
Tudo isto enquanto Sarah Morton, muito pálida, brinda com olhares cépticos, embora educados, as costas das pessoas de porte atlético que passam a correr, todas transpiradas.

Todos os criadores de letras e fontes

Queremos fontes capazes de aguentar itálicos sem parecerem paralelogramos desvairados.
Todos os criadores de letras e fontes deviam ser obrigados a testar a resistência a itálicos das próprias criações.
Aliás, todos os escritores também.

Biblioteca

Catálogos de exposições na prateleira de livros e guias de viagens, recheados com um ou outro volume de culinária. O Principezinho não só com a Ilíada mas também com Gilles Deleuze e uma antologia gigantesca de Adília Lopes. Ditos e Feitos dos Padres do Deserto ao lado de Os Cantos de Maldoror. Livros do mesmo autor espalhados por prateleiras diferentes. Suspeitas de repetições. Volumes alegadamente extraviados acumulando-se sobre as mesinhas de cabeceira (era só para ver).

... E as coisas não melhoraram com a Feira do Livro, diz-me B., aparentemente sem intenções envolvendo planos milimetricamente delineados de organização, com uma primeira fase que consistiu em andar por ali vagamente a limpar o pó, enquanto inspeccionava de perto os títulos, as cores, os formatos, as datas.

Quarta-feira, Junho 15, 2005

Pois era.

‘Gosto muito do teu saco’, disse ela ao despedir-se. ‘É igual ao meu.’.

Plural: zzz’s

Constatou que, ali, a última palavra era zymotic. Em português, «zimótico», relativo a fermentação. Que bonito. Como se houvesse uma confiança implícita no crescimento do léxico e na persistência de suportes que o registassem.
Mas depois lembrou-se de procurar outras últimas páginas.
Às vezes, a derradeira, a definitiva tirada é zzz.

Segunda-feira, Junho 13, 2005

A palavra, como tu dizias

O primeiro poema que me lembro de ler com alguma emoção incipientemente estética era de Cecília Meireles e estava no meu manual de Português do sétimo ano.
Começava assim «Pus o meu sonho num navio», e depois falava de chorar tanto que as lágrimas fossem capaz de o afundar.

Deve ter sido mais ou menos por esta altura que passei a prestar mais atenção aos livros de poesia nas estantes dos meus pais.
Creio que comecei por Florbela Espanca. E Eugénio de Andrade veio a seguir.

Se bem me lembro, foi num só dia que li de enfiada uma antologia dele de capa roxa, publicada pelo Círculo dos Leitores. E não devo ter percebido nada.
(É possível que tenha sido num daqueles dias de ausência da escola por motivo de tosse, dores de garganta e gripe em terceiro ou quarto grau, que eu passava a ler sem parar, ao ponto de chegar à noite com uma temperatura capaz de incitar ao pânico familiar.)

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O desejo da luz no coração de trevas da mortalidade

Foi só mais tarde, quando me emprestaram um disco ou uma cassete com poemas ditos por Mário Viegas que a coisa mudou um bocadinho. Um dos poemas era «Elegia das Águas Negras para Che Guevara», e eu, que nunca me interessei muito por Che Guevara, nem nunca fui grande coisa a memorizar citações, ainda hoje sei de cor a primeira estrofe do poema:

«Atado ao silêncio, o coração ainda
pesado de amor, jazes de perfil,
escutando, por assim dizer, as águas
negras da nossa aflição


Nem sequer é uma estrofe muito típica na poesia de Eugénio de Andrade, principalmente por causa da carga negativa de grande parte dos vocábulos («atado», «pesado», «jazes» «águas negras», «aflição»). Mas lembro-me dela nos momentos mais inesperados, e isso acabou por me chamar a atenção para o lado menos evidente dos outros poemas desta obra em que a luz assume geralmente uma presença tão forte que se revela capaz de cegar os leitores para as sombras e, por vezes, as trevas que encobre.
A luz também pode ser o reverso da escuridão, e tento não me esquecer disso quando leio ou recordo esta poesia concisa e depurada, entre o silêncio e a música, na senda do rigor da lápide.

Penso que há mesmo um texto em que Eugénio fala da poesia como sendo «o lugar onde o desejo ousa fitar a morte nos olhos».

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Terça-feira, Junho 07, 2005

E ao pó voltarás


Woman Reading at a Dressing Table
Henri Matisse, 1919

Respiro o pó e passeio através do amontoado de más capas em exibição na Feira do Livro com a
ambição pouco secreta de chegar ao stand da Cotovia e encontrar a Ilíada como livro do dia. Gostava de fazer pelo menos um bom negócio nesta Feira, mas não tem sido fácil.
Na maior parte dos stands descubro os bestsellers, novidades e fins de colecção geralmente pouco desejáveis que encontro durante todo o ano na Fnac, nos hipermercados ou nos Mercados do Livro.
E, por mais que tente, não consigo entender bem a atitude de grande parte das editoras.
Julgar-se-ia que poderiam aproveitar estes escassos dias de contacto directo com um público mais alargado para tentarem transmitir informação, imprimir uma imagem positiva, afirmar uma identidade.
Que houvesse pelo menos promoções relevantes a partir de autores ou temas bem representados nos catálogos, recuperação de bons títulos caídos no esquecimento, chamadas de atenção para obras que as livrarias puseram de lado demasiado rapidamente, «livros do dia» capazes de interessar pelo menos ao Menino Jesus.
Porque às vezes nós queremos comprar livros, mas as editoras e os livreiros não ajudam nada.

Poesia e mundo

«A poesia que eu queria, um improvável equilíbrio entre o mundo lá fora e nós (os vários eus) cá dentro, o acaso objectivo, o ponto sublime em que por maravilha, por instantes, as contradições se resolvem, corre o risco de soçobrar por falta do seu substrato: nós, as plantas, a terra

Manuel Resende

Segunda-feira, Junho 06, 2005

Mutações literárias

«Como escritor, tive duas vidas diferentes: poeta até por volta dos trinta, e romancista a partir daí.
Entre estes dois períodos, passei um ano sem escrever. Era como se tivesse chegado a um muro que não conseguia transpor.
Depois disso, quando consegui voltar à escrita, dei por mim a escrever só prosa

Paul Auster
(citado de memória a partir da entrevista de Ana Sousa Dias)

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Vem ou não vem?


Edições Quasi

Pois sim.
E será que pelo menos nesse dia vai ser possível avistar este volumezito na Feira do Livro?

Feira do Livro do Porto
Dia 9 de Junho (próxima quinta-feira), 21:30
Local: Café Literário

Debate: Ficção. Nova Vaga
Alexandre Andrade / João Tordo / Valter Hugo Mãe

Constatações de segunda-feira

Número de despertadores que os meus vizinhos de baixo têm no quarto, e põem a funcionar de manhã: três.
Todos em lugares diferentes.

Domingo, Junho 05, 2005

Manhã livres em Paris


Le " scribe accroupi "
Trouvé à Saqqara
4e ou 5e dynastie, 2600-2350 avant J.-C.
Calcaire peint, yeux incrustés de cristal de roche dans du cuivre

Prometo que em breve pararei de falar de Pedro Tamen.
Mas a historieta vem a propósito de quatro poemas escritos por ele a partir da Gicoconda, do Escriba Acococorado, da Vénus do Milo, e da Vitória de Samotrácia. Poemas breves, que terão resultado de uma manhã livre do poeta em Paris, em que ele decidiu visitar o Louvre para ver só os lugares-comuns do museu.

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A manhã dos poemas

Pedro Tamen não descreveu a manhã, mas, enquanto ele lia os poemas, houve algo que comecei a visualizar...
Um pouco de nevoeiro ao início do dia. O sol gradualmente instalado, pouco a pouco iluminando tudo, inclusivamente os vitrais de La Chapelle Royale perante turistas embevecidos.
Pedro Tamen sentado num café envidraçado, toma o pequeno-almoço, observando as pessoas a passar lá fora, cada vez mais animadas à medida que o sol vai dissipando a névoa. Está com uma camisa branca.
Depois, levanta-se, e segue em direcção ao Louvre.

A manhã que, de algum modo, os poemas convocaram. Não aquela que o poeta viveu.

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Outras manhãs

Falando com B. a propósito desta e de outras incursões matinais no Louvre, fico a saber que ele tinha por costume começar por visitar as salas dos andares mais elevados, porque eram aquelas a que as hordas de turistas demoravam mais tempo a chegar.
E por lá andava, praticamente sozinho, entre os quadros e os vigilantes. Isto ele não contou, mas quase que consigo ouvir os passos dele a ecoar através das salas.

A manhã de João Miguel Fernandes Jorge

No livro O Pé Esquerdo, de João Miguel Fernandes Jorge, há um conto que se intitula «As Duas Figuras». A acção decorre no café Les Deux Magots, antes do almoço, girando em torno do possível diálogo silencioso entre as duas emblemáticas esculturas em madeira deste estabelecimento.

«E tal como um dia Ticiano escreveu a Filipe II, dizendo-lhe: 'Gostaria de deixar sobre a tela a imagem do meu coração.', eu bem gostaria de dar um dia uma voz clara às duas figuras.» (p.32)

Pode ser uma boa compra na Feira do Livro. A editora é a Relógio D’Água.

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Sábado, Junho 04, 2005

Branco

A propósito de metáforas, metonímias e comparações, a dada altura, na sessão de quinta-feira, Pedro Tamen aventou que a primeira pessoa a lembrar-se de dizer «branco como a neve» tinha sido um génio.
Para conseguirem produzir algo tão inteligente como isto, todos os que vieram depois tiveram de escrever poemas.

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Alegados tesouros de definições objectivas

Curiosamente, lembrei-me de imediato de um pormenor quase paradoxal: num grande número de dicionários que conheço, quase todas as cores são definidas por referência a um elemento da Natureza.
E, mais tarde, decidi consultar o dicionário da Encarta, para ver quais eram os elementos eleitos para a definição.

Poesia pura:

- white: fresh snow or milk;
- blue: the sky on a cloudless day;
- red: blood, or a ripe tomato, or a strawberry;
- yellow: butter or ripe lemons;
- brown: wood or soil;
- grey: ash or lead;
- black: coal or carbon;
- green: grass;
- orange: the skin of an orange.

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Quem é que me disse isto?

(Ou terei lido nalgum lado?)
«Sempre que conheço uma pessoa nova consigo ver a cor a que corresponde

Debaixo da sua bota toda a pedra canta

Por estas, por outras, é que acho que este senhor é um dos melhores bloggers que por cá andam.

Las Vegas Centennial Collection

Saiba o que é, o que significa.

(Post «Informações de Paradeiro», Junho 3, 2005)

A fazer e desfazer opinião

Agora com figurinhas.

Quinta-feira, Junho 02, 2005

Tantos papalvos em busca da memória que a pintura não dá

«O meu assunto é a realidade que a obra visual invoca

Pedro Tamen disse isto, hoje, numa sessão do ciclo Ler e Ver/Ver e Ler, apresentada por Rosa Alice Branco, na Reitoria da Universidade do Porto.
Este ciclo é dedicado à relação entre a literatura e as artes visuais. E nesta sessão foram lidos e comentados alguns (incríveis) poemas do poeta e tradutor relacionados com obras de artistas plásticos (entre os quais, Graça Morais, Valente Alves, Chillida, José de Guimarães, Carlos Pinto Coelho, Júlio Pomar, Morandi, Dürer, e Rubens).

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A última palavra

No fim da sessão, Rosa Alice Branco, um tanto inesperadamente, decidiu deixar «a última palavra» a Pedro Tamen.
Imperturbável, ele terminou assim:

«Como diziam as beatas de antigamente quando davam esmola aos pobres, também eu vou dizer:
Desculpem a insignificância.’»

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Criminologia



Para grande tristeza inconformada das senhoras da limpeza, a secretária dela tinha vindo para ali directamente da série «A Balada de Hill Street», durante um episódio com ocorrência de um número bastante significativo de crimes violentos.

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Gestão

Costumava chegar à empresa um tudo-nada antes dos outros.
Mesmo que fosse por pouco tempo, não se podia dar ao luxo de abdicar daqueles momentos a sós com a máquina de café.

Quarta-feira, Junho 01, 2005

Coisas que surpreendentemente aparecem na minha caixa de correio postal

Ontem, um artigo de várias páginas sobre Maria Judite de Carvalho.
Hoje, um gato tigrado «em pose schopenhaueriana», inspirada e fatal.

Mas quem é que mora em Spinhô sur Mer?

Sobre Maria Judite de Carvalho

O artigo é mesmo muito interessante.
Tem uma vertente biográfica bastante marcada, mas inclui também algumas reflexões sobre a obra literária de Maria Judite de Carvalho.
A dada altura, curiosamente, é mesmo possível encontrar este comentário de Mário Castrim:

«A sua escrita lembra Tchékhov, embora para ele houvesse saída, enquanto ela não tinha nenhuma hipótese de salvação

E é escrito no estilo muito próprio de Fátima Maldonado, que não resisto a citar também:

«Escrita sem sobressaltos, aparência inócua, placidez vocabular, mas sem qualquer aviso surgem os demónios, desconcertam ainda mais porque rastejam, são humildes, desculpam-se enquanto cravam os dentes, inoculam desespero, bacilos de desgosto, repúdio de viver ao leitor perdido nestes cárpatos

in «Derrota Triunfante – Maria Judite de Carvalho», Revista do Expresso de 6 de Junho de 1998, p.90-103

Coisas que custam 60 cêntimos*

- seis lápis com borracha na ponta, e cinco afias de plástico dourado;
- três bloquinhos de apontamentos (preto, vermelho e amarelo torrado, respectivamente), com espiral ;
- seis canetas azuis.

*numa loja dos Clérigos.

Total: 1.80 €
Volte sempre.

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Botânica

Costumava deixar um pacote de chicletes de clorofila sobre a secretária, de modo a ter um motivo para lá regressar na manhã seguinte.

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