seta despedida

blogue de Alexandra Barreto sobre palavras, imagens e pessoas setadespedida@yahoo.co.uk

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

Pequenos apocalipses privados


Todos os protestos pelo excesso de imagens de Tarkovsky nesta página devem ser enviados a este blogue.
Obrigada.


Houve um blackoutzinho no Porto, hoje, entre as 19.00 e as 19.05, pelo menos entre Cedofeita e Miguel Bombarda.
De repente, puf. Foram-se as luzes. Ficámos às escuras, e vários alarmes ensurdecedores desataram desalmadamente a tocar.
Algumas pessoas pararam, e olharam para todos os lados, assustadas. Outras continuaram a andar, fingindo não dar por nada.
Antes de a luz voltar, todos tivemos ainda tempo para considerar alguns focos de luz alternativa: um ecrã de telemóvel, um resto improvável de céu ainda não totalmente nocturno, sapatilhas fluorescentes em movimento, um cigarro aceso preso na ponta dos dedos, uma vela claramente vista a passar de mão entre uma porta e outra.
O mundo a descansar um bocadinho.
E, depois, o regresso aparentemente lento da luz, com os candeeiros de Miguel Bombarda a acenderem aos poucos, em efeito de dominó.
Mais tarde, enfim, chegar a casa, e subir disfarçadamente pelas escadas, até ao quarto andar.

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Deslumbramentos de trazer pelo supermercado

Garrafas de água.
De vidro verde ou azul. Com água dentro.

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Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005

Estado em que se encontra este blogue, agora *

Como se Sarah Morton tivesse subitamente decidido passar a basear a alimentação exclusivamente em crepes (todos os recheios permitidos) e maçã assada.

*marca registada

Todas as coisas que o dia me reservava

Para os crepes, pelo menos de momento, não consigo arranjar desculpa literária. Mas para a maçã há este texto de Walter Benjamin:

«Quando o lume já estava aceso, ela punha uma maçã a assar no forno. Daí a pouco, as grades da portinhola desenhavam-se no soalho, num flamejar vermelho. E o meu cansaço imaginava que esta imagem já lhe bastava para o dia inteiro. [...] Ainda as persianas não estavam abertas, e já eu destrancava pela primeira vez a portinhola do fogão para ver como estava a maçã. [...] Lá estava o fruto escuro e quente, a maçã que chegava até mim, familiar e apesar disso mudada, como um velho conhecido depois de uma viagem. Era a viagem através da terra escura do calor do fogão, em que tinha absorvido os aromas de todas as coisas que o dia me reservava

de «Manhã de Inverno» (Infância Berlinense), in Imagens de Pensamento, de Walter Benjamin, Assírio&Alvim, trad. de João Barrento, pp. 86-87
(Acreditem: é um crime citar só este fragmento do texto e do livro.)

Strange and wonderful forms: oito-rostos

«There are certain secrets in painting the plum tree. Brush should be nimble, inspired with a certain madness. The hand should move like lightning, without hesitation. […] Space should be left on branches for adding the blossoms. When they are added, the soul of the flower should seem to be intact. […] The flowers of the plum tree have eight 'faces' [...]»


Oito-rostos: últimos dias

Do not protect yourself at all times

Por acaso, não sou uma indefectível de Clint Eastwood.
(Mas, pronto, se arranjar tempo para ver este filme, pode ser que diga alguma coisa.)

Onde sobrou maior distância:

no caminho começado ou no caminho concluído?

Terça-feira, Fevereiro 22, 2005

Estreitos, estreitos passeios do Porto



Como se de repente localizassem um cágado numa poça de água em que tivéssemos inadvertidamente mergulhado o pé salpicando tudo, velozes crianças, sozinhas pela primeira vez com um guarda-chuva na rua, avançam direitas a nós, totalmente indiferentes ao risco de nos vazarem um olho.

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Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005

O nosso carácter inacabado

«Não sei se escreveria se não houvesse uma esperança, sim. Claro que a há. [...] A esperança em algo de esquivo, de que algo, ou alguém, aconteça. A esperança como algo que se faz para justamente abrir a possibilidade, para tornar possível uma fracção do impossível. E é já demasiada ênfase...[...]

No meu entendimento, o poema é testemunha de algo em falta, uma falta que pode aparecer-nos como uma característica do histórico e do antropológico; ou significar o nosso carácter inacabado, a nossa abertura, a não coincidência connosco mesmos. [...]

[A poesia] É, entre outras coisas, uma arte antiga que inventa possíveis verbais e hipóteses de vida, mesmo se os poemas não ensinam a viver e podem antes nascer do não se saber bem como viver

Manuel Gusmão
(entrevista de Ana Marques Gastão)

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de O Espelho

Também me apeteceu uma imagem de Tarkovsky.

Domingo, Fevereiro 20, 2005

Já está

Já votei. Voto numa freguesia fora da cidade do Porto. Na minha velhinha escola primária, com cadeiras e mesas que agora me parecem estranhamente mais apropriadas a uma casa de bonecas.
De manhã, as pessoas da minha mesa de voto pareceram invulgarmente entusiasmadas por ver alguém ali. E isso, de certa forma, deu-me oportunidade para invejar as filas da freguesia de Mário Soares, impressionantes na televisão.
No entanto, de tarde, no Porto, cruzei-me com bastante gente com ar de quem ia ou vinha de votar. Portas a abrirem na rua Miguel Bombarda, senhoras bem vestidas em Cedofeita, famílias no Campo Alegre. Movimentações pouco habituais num domingo. Olhares compenetrados.

Sábado, Fevereiro 19, 2005

Formulário explicativo de determinada operação cambial

Não sei se consigo apontar claramente as minhas razões, mas João Miguel Fernandes Jorge é dos poucos poetas que gosto mais de ler em antologias próprias (vd. colecção da Presença) do que nos volumes que vão saindo individualmente.
Talvez porque a leitura de cada poema saia mais enriquecida quando feita no contexto de outros textos de diferentes volumes? Torna-se assim mais fácil captar as vozes e os tempos a responderem-se?
Não sei se é só isso. De qualquer modo, encontro reflexões muito importantes não só para a interpretação de toda a sua obra em particular, mas também para a leitura de poesia em geral, na entrevista que o escritor deu ao MilFolhas desta semana, a pretexto de Invisíveis Correntes e Castelos I a XXXV.
O post seguinte vem todo de lá e reúne citações que se referem ao papel da intertextualidade nesta escrita.

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Acrescentar alguma coisa contra e a partir dos outros

«Para os meus versos contam os sentidos todos. Com eles tem lugar uma arte da vida. Só depois ocorre uma arte poética. [...]
Quero dizer com isto que o poema parte de uma vitalidade que não pode interromper-se, porque já está instalada dentro daquele que o irá escrever. Ocorre porque tem uma configuração prévia. [...]
Todos os autores, vários, que se espalham (e espelham) no conjunto que dá forma a "Invisíveis Correntes" e que tiveram ou têm ainda uma vida e uma obra muito real [...] são sujeitos dessa operação cambial que dá nome ao livro [...].[...]
O outro é só isso: o passar de uma invisível corrente. Não devemos mostrar demasiado a sua visibilidade; seria dar-lhes excessivo poder; seria perigoso. [...]
[Os outros] Vêm da escuridão e do desconhecido e depois do seu uso, da sua aparição, regressam à sua "substância". Ao molde a que pertencem. De certo modo, limitaram-se a surgir. Eu apenas as prendi, segurei e transpus para um local que por um momento plenamente me pertence e que é o poema: um rio de versos em que momentaneamente acredito, que me parece justo e válido. Mas logo sobre ele cai a dúvida, a incerteza

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Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005

Fevereiro

Antes de ir dormir, deixo marcadores sem tampa no sofá, e, no dia seguinte, eles estão secos. Distraída num anfiteatro, em várias nucas pressinto reencontrar pessoas que há muito tempo não vejo; mas as nucas são todas de pessoas que desconheço. Peço à cabeleireira que me corte um centímetro de cabelo. Lembro-me, de repente, que comprei uns bolbos de tulipa no Natal e os arrumei dentro de um armário. E receio por aquilo que possa estar a passar-se lá dentro, no escuro.

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Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005

I have this exasperating habit

Cultivo a castidade imagética.
Reúno uma lista de títulos de pinturas de Pamela Golden. Só os títulos, reparem.

- It Follows From All This
- Last Night's Concert
- Each Into A Prevailing Breeze
- The Need For Economy Was Paramount
- What's He Think She's Really Going to See?
- They Have An Exasperating Habit
- Corrosion Being A Vital Enemy
- A Melted Passenger
- Oscillate Wildly

E depois os títulos são absolutamente narrativos, convocam ainda mais imagens do que a própria imagem a que estão associados. ... E também não se pode dizer que sejam verdadeiros apreciadores do conceito de castidade.

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They Have an Exasperating Habit
Pamela Golden

Quem estiver curioso em relação aos outros títulos da lista pode espreitar aqui.
Se também não for casto.

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Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005

The last thing to be considered

«I don’t regard art as of prime importance. I prefer every other loyalty in life to art. I hate the romantic conception of art as taking precedence over anything. I think it’s the last thing to be considered, always. […] I have great respect for people who do regard art in that way and I think they are probably the most valuable artists. I’m not defining what an artist ought to be; I’m just saying what kind of artist I am

Da entrevista a Orson Welles que acompanha o DVD do incrível filme The Magnificent Ambersons (que saiu na quinta-feira, com o Público)

Vi outra vez a entrevista para fazer este post.

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Arquitecturas de Piranesi


em The Magnificent Ambersons, de Orson Welles

«fantastic immeasurable dungeons dominated by immense, gloomy arcades, staircases rising to incredible heights, and bizarre galleries leading nowhere»

A propósito de Carceri d’Invenzione, de Piranesi, numa enciclopédia (Encarta)

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Há coincidências

A Raquel também esteve no jardim da Casa das Artes durante o fim-de-semana, e fotografou a magnólia branca de que eu falava num post de Domingo. Procurá-la aqui.

Domingo, Fevereiro 13, 2005

Advertência

Não é aconselhável ouvir o último disco da Björk enquanto se faz chá. Quando a chaleira assobia, as pessoas em casa pensam que o som vem do disco, e continuam, imperturbáveis, a conversar.
Ninguém faz nada.

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Desejos de fim-de-semana

Blusas brancas, camisas brancas.
Como a magnólia branca, logo à entrada do jardim da Casa das Artes, de pétalas multiplicadas na porta espelhada.

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Quarta-feira, Fevereiro 09, 2005

Espadas, chaves, portas, muros, escritórios, gaiolas, escadarias, água, pássaros, felinos


Do filme Cat People, de Jacques Tourneur

A normalidade pega no desejo e obriga-o a disfarçar-se de predador para mais facilmente o caçar.
Obriga-o a dar de comer canários a panteras, a perseguir outras pessoas em ruas desertas e piscinas pouco frequentadas, os passos e os rugidos amplificados por estes volumes e superfícies abandonadas.
E quase todos vivem em hotéis e não nas suas próprias casas.

(Depois deste desvario, prometo: a partir de agora vou usar menos imagens.)

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Terça-feira, Fevereiro 08, 2005

Imagens

Ultimamente tenho andado deliciada com uma colecçãozinha de livros que, sempre a partir dos quadros da National Gallery, reflectem sobre a forma como determinados motivos pictóricos são abordados ao longo dos tempos. Comecei pelo volume dedicado aos rostos, passei para o que se debruça sobre o uso da cor, e preparo-me para começar a ler um outro sobre flores e frutos.
Mais temas abordados na colecção: paisagem, naturezas mortas, anjos, santos, alegoria, impressionismo e molduras.

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«[F]aces in painting are not the same as those we meet in real life. Faces communicate much of what they tell us through movement – a flashing smile or a tensing jaw – but paintings cannot move. And while there are some faces in the Gallery we might recognise, or others we know to be portraits, there are some faces we know we will never meet in the real world

Da introdução.

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Wishful thinking



Ando há que tempos para escrever isto: às vezes, a resistência à criação pode não ser mais do que o próprio início da criação.

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Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005

Pensamento em acção

No Livro Aberto desta semana (que passará na quarta-feira na Dois) podemos ver uma entrevista com José Gil. Entre outros pormenores interessantes, ali se explica que a capa de Portugal, Hoje – O Medo de Existir não foi uma escolha directa de José Gil.
Em face de três possíveis hipóteses de capa apresentadas pela editora, o autor escolheu aquela que partia de uma pintura de Turner não só por apreciar particularmente o trabalho deste artista, mas também por conseguir discernir alguma relação entre a presença das caravelas ao pôr-do-sol e o assunto do seu texto.
De resto, em todo o programa há pensamento em acção e ao vivo. Mas José Gil é melhor a escrever do que a falar.

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Chichester Canal
Turner, 1828

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Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005

Tell me something true.



Diz-me alguma coisa que seja verdade.

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Constatação

Tenho de parar com esta obsessão por imagens com espelhos.

Vem na Bíblia

hoje vemos por um espelho
de maneira confusa
mas então veremos face a face
hoje conheces de maneira imperfeita
então conhecerás exactamente
como também serás conhecido

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Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005

Pensamento livre sobre o presente



Coloco José Gil entre os portugueses (vivos e mortos) que mais admiro, principalmente pela sua coragem de defender e procurar desenvolver aquilo a que poderíamos chamar um «pensamento livre» (e, nas suas palavras, um «pensamento livre» é aquele capaz de exprimir o máximo da nossa potência de vida), aventurando-se por áreas tão fugazes e pouco exploradas como o corpo, as «pequenas percepções», as forças do mundo, e até o invisível, a ausência e o vazio.
Há dias, acabei de ler o seu livro mais recente (Portugal, Hoje – O Medo de Existir, Relógio D’Água), e irei com certeza reflectir durante muito tempo a partir das questões e dos conceitos ali abordados.
Isto é um aviso.

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Medo de existir

Para já, quero destacar o seguinte: logo a partir do título deste livro, José Gil assume claramente o confronto com o nosso presente (Portugal, Hoje), e ensaia uma caracterização daquela que considera ser a sua linha de força mais marcada (O Medo de Existir).
Este «medo de existir» é definido por José Gil da seguinte forma: «medo de inscrever, quer dizer, de existir, de afrontar as forças do mundo desencadeando as suas próprias forças de vida» (p.78). E vai sendo ilustrado ao longo do texto por vários exemplos práticos que tipificam de forma muito inteligente experiências que nós, portugueses de hoje, vivemos quotidianamente. Sem querer ser exaustiva: a «não-inscrição», a «vocação lusitana do não-acontecimento», o culto da inveja, a «síndroma de Lilliput» (queda para o «pequeno), os «microterrores», o «familiarismo», o santanismo, a televivência, o esquecimento quase instantâneo do presente....

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De onde vem o medo?

Mas para além de definir e mostrar «o medo de existir» no nosso quotidiano, José Gil procura traçar a sua genealogia.
Nesta perspectiva, um dos principais focos do medo português situar-se-ia no séc. XX, nos tempos de Salazar:

«[O mal salazarista] era a impossibilidade da expressão das forças da vida» (p.135)

«[N]o tempo de Salazar nada acontecia por excelência. [...] E o que era uma vida, nesse tempo? Aquilo que ditava o ideal moral do salazarismo: uma sucessão de actos obscuros, com tanto mais valor quanto se faziam modestos, humildes, despercebidos... Onde inscrevê-los [...] senão na eternidade muda das almas, segundo a visão católica própria de Salazar?» (p.17)

«A vida continuava, com a aparência de uma vida normal, aparência que foi de tal modo interiorizada que chegou a ser vivida como realidade» (p.136)

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Vivermos existências separadas da nossa existência

Por mim, acho muito produtivas estas noções de existência cindida e de aparência vivida como realidade.
Aliás, estamos aqui perante conceitos que obviamente não se circunscrevem à realidade portuguesa. Podemos usá-los (e outros já os usaram) como instrumentos de interpretação ou descodificação de inúmeros outros contextos. Mas torna-se muito interessante observá-los neste livro em plena actividade de descodificação da mundividência portuguesa.
Porque nós ainda somos geniais a realizar mentalmente montes de coisas que não ousamos ou não conseguimos tentar na realidade.

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Terça-feira, Fevereiro 01, 2005

Por amor a Portugal

Então como é? Não aparecem gatos na pré-campanha? Nem sequer um piscadela de olho de Santana Lopes, um beijinho, uma palavra amiga para o segmento de eleitorado constituído por donos de gatos eventualmente indecisos?
Está mal.

Ignorado


Ilustração de Guy Junker

Por enquanto.

Estado em que se encontra este blogue*

Estão a ver aquelas cenas no filme Swimming Pool de François Ozon em que Sarah Morton (Charlotte Rampling) opta por basear a sua alimentação exclusivamente em coca-cola e tigelas gigantescas de iogurte natural com açúcar?
Pronto. É mais ou menos assim.

*marca registada