seta despedida

blogue de Alexandra Barreto sobre palavras, imagens e pessoas setadespedida@yahoo.co.uk

Quinta-feira, Novembro 25, 2004

E não clamava


No livro Como se Bosch Tivesse Enlouquecido, de A. M. Pires Cabral (João Azevedo Editor), a morte é um mecanismo de criação poética de textos onde se joga a invocação e a fuga de um sujeito poético que com ela se confronta.
Como enunciar, dizer a morte, «Senhora/dos Dentes Arreganhados», «Senhora dos Mil Ossos», «Senhora do Tempo»?
A propósito da obra de A. M. Pires Cabral, Joaquim Manuel Magalhães falou uma vez do «oposto de uma escrita caótica e pulsional», e é também essa espécie de decoro que encontramos nestes textos. Em face da dissolução e do caos do corpo, o sujeito (re)constrói ainda um reduto de resistência, contenção e coesão.
A morte não traz metáforas delirantes. (Veja-se o próprio título: Bosch não enlouqueceu.) Nos poemas não irrompe a desordem do extraordinário. Em vez disso, é a normalidade que é intensificada e elevada à máxima potência.

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Nesta poesia, como nas catedrais, as gárgulas, os monstros e as expressões fantásticas não entram; ficam por fora, a espreitar quem vem.

Pormenores de Death and the Miser
Hieronimus Bosch (1490)

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Sali tras ti clamando

Fugi à tua frente, e não clamava:
retinha as cordas
da dor domesticadas na garganta.

E tu, como um cervo transcendido,
em vez de presa, eras predador.

Correndo em silêncio, eu,
à tua frente.
Só assim me media contra o eco
do mesmo silêncio,
com eficácia, de revés e como
uma navalha nua.

Acossado. Sem gritos.
As botas porém
enlameadas.


A. M. Pires Cabral (p.35)

Para o Luís, que se interessou pelo livro

Mas ainda a propósito da morte e das metáforas

Totalmente de acordo com o que se escreve no Aviz a propósito de Pedro Páramo:

«Pedro Páramo não pode ser lido do ponto de vista dos modelos de interpretação ocidentais. Nem se pode discutir se aqueles mortos estão mortos ou se os mortos são metáforas, estando lá em vez de outra coisa qualquer. Acontece que aqueles mortos estão mortos. Quando se diz que os anjos cantam queremos dizer que eles, de facto, estão a cantar. É um ruído assustador, o de certos livros.»

Há neste texto de Juan Rulfo uma concepção de vida e de morte sem precedentes nos modelos de interpretação ocidentais. As fronteiras entre estes dois pólos vão perdendo qualquer validade. Todas as imagens (aqui também no sentido de conjunto de conceitos) se desmoronam.
E, para mim, talvez a questão mais importante que a leitura deste livro coloca se relacione com aquilo que fica, aquilo que se consegue entrever ou perceber, depois do esboroamento destas imagens. Aquilo que acaba por ser algo de que só a literatura se pode aproximar. Com ou sem metáforas.

Quarta-feira, Novembro 24, 2004

A luz dentro do copo


O argumento do filme Suspicion, de Alfred Hitchcock, baseia-se no romance Before the Fact, de Francis Iles, mas tem um fim diferente.
É verdade que tanto no livro como no filme, a dada altura, Johnnie (Cary Grant) leva um copo de leite a uma Lina (Joan Fontaine) combalida depois de um nocturno desmaio de origem nervosa.
No filme, podemos observar esse mesmo copo de leite, na manhã seguinte, intacto, sobre a mesinha de cabeceira, pois dúvidas amargas em relação ao seu conteúdo impedem Lina de o aceitar.
Pelo contrário, no romance, não há qualquer ambiguidade relativamente à bebida com que Johnnie sobe as escadas. Lina sabe, tem a certeza, que, no copo, o veneno se esconde no branco do leite. E, contudo, não hesita em bebê-lo.

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Terça-feira, Novembro 23, 2004

Com amor na composição

Love-in-idleness, love-in-a-puzzle, love-in-a-tangle, love-in-a-mist, love-lies-bleeding: palavras que designam flores.

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love-in-a-mist


an erect Mediterranean annual plant with white or pale blue flowers surrounded by very fine bracts, giving the flowers a delicate appearance

Latin name: Nigella damascene

[Mist from the mass of threadlike bracts that surrounds the flower]

in Encarta Dictionary

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Creio que foi Scott Walker

Daqui um grande abraço para o Ricardo por um ano de opiniões sobre tudo, comemorado no dia 17 de Novembro.
Por mim, não resisto a linkar dois dos meus posts preferidos deste ano de blogosfera:

- A Ária da Estrela: «Creio que foi Scott Walker que escreveu no livrete do seu quarto disco de originais que o trabalho de um artista se resumia à busca daquelas duas ou três imagens face às quais o seu coração se abrira pela primeira vez. [...]»;

- Sobre a questão da esquerda e da direita (work in progress):« [...] Talvez por ser alto, raras vezes me esqueço que o exemplo deve vir de cima. Acontece-me pensar que sou conservador e individualista. [...]».

Quarta-feira, Novembro 17, 2004

A controvérsia do prazer

Pelo título ninguém diria, mas este é mais um post a partir de Pedro Páramo.
É difícil ler este livro de Juan Rulfo? Na reunião da Comunidade de Leitores, alguns disseram que sim, apontando não só a ausência dos limites convencionais do tempo, do espaço e das personagens, mas também o estilo elíptico desta escrita, que acaba por ser bastante exigente para o leitor, na medida em que suscita uma intervenção activa no preenchimento das lacunas e aberturas do texto.
Nessa altura, disfarçadamente, a discussão transitou para o tema das estranhas relações do prazer com a dificuldade.

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Essa foi a parte da terapia de grupo

Foi quando alguém disse que falar de prazer a propósito da leitura só pode ser uma idealização do processo. E que nós, quando lemos, somos tudo menos ideais. Quanto mais nos envolvemos numa obra, mais angústia sentimos. Começamos a interpretar, e isso é uma atitude defensiva que pouco tem a ver com o prazer.
Seguiu-se alguma polémica mais ou menos apaixonada, com outras pessoas a defenderem entusiasticamente a possibilidade do prazer intelectual.
E, lá para o fim da reunião, houve mesmo alguém, inequívoco leitor voraz, que sentiu a necessidade urgente de confessar que em toda a vida só tinha conseguido retirar prazer da leitura de dois livros.
Embora, depois, se tenha recusado a revelar os títulos em questão.

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De qualquer forma

Entre todos os livros discutidos nestas sessões da Comunidade de Leitores, Pedro Páramo foi aquele que menos leituras fechadas suscitou, aquele em relação ao qual foi mais difícil fazer sentido.
Esta questão do sentido é importante. Talvez a demanda do real através da literatura (e não só) não passe sempre por uma demanda de sentido. E, reparem, é verdade que estes problemas do real e do sentido nos poderiam levar longe; mas não tão longe quanto a questão do prazer.

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«Hotel by a Railroad»
Edward Hopper, 1952

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Terça-feira, Novembro 16, 2004

Aquilo que veio parar às minhas mãos

Aquilo que veio parar às minhas mãos intitula-se As Não-Metamorfoses, e é um livro de contos que em breve estará disponível nas livrarias.
O meu fascínio (sim, eu escrevi fascínio - desculpem lá, mas é mesmo isso) por este volumezinho começa logo na capa, concebida com um cuidado pouco frequente no triste mundo editorial português, a partir de um desenho a vermelho escuro de Filipe Abranches, inspirado numa frase de um dos contos ali incluídos.
A frase é esta:

«Precisamente no centro de uma clareira, da neve emergia algo semelhante a um delgado tronco de árvore, e que afinal se revelou se a ponta da armação de um veado

O conto intitula-se «Porque Combatemos», tem só sete páginas, e é um dos textos mais incríveis que tenho lido nos últimos tempos.
E o autor deste livro não é senão o Alexandre Andrade.

Voltarei a falar sobre este assunto.


Editora: Errata

E não de outra maneira

«- Nesse caso, interessa-me saber se a loquacidade de que deu mostras algures a tua boca, noutros momento, é à medida desse emudecimento forçado.
- Sim, para melhor delimitar aquilo que está ao seu alcance dizer, para rondar em torno de, e cumprir.
[...]
- E convida ela outros para se juntarem ao seu movimento?
- Constantemente, e mal ousando esperar resposta.
- Bem, então fundo-me nela neste instante.
- As tuas perguntas farão falta. As minhas proposições passarão a contê-las, em filigrana, assim como na ossatura. Será assim, e não de outra maneira.
»

in As Não-Metamorfoses, de Alexandre Andrade, p.29, Errata, Outubro de 2004

Este excerto foi retirado do conto «Porque Combatemos», pré-publicado há cerca de um ano no Blog de Esquerda (I, II, III, IV)

Gosto disto aqui

- Espreitem ali em baixo o texto integral do poema «Darkness», de Micheliny Verunschk. A parte convocou mesmo o todo. (Obrigada, Ana Behrens.)

- Espanto-me às vezes com a qualidade da informação que é colocada todos os dias na blogosfera. Sucede muitas vezes quando leio o Dias com Árvores. Começou a acontecer com o blogue DesNORTE, sítio de lugares, histórias, sons, e... outros assuntos não relacionados.

- Outras vezes oferecem-me poemas com gatos.

- E o Quase em Português está a comemorar um ano. O próprio título do blogue de Lutz tem um saborzinho especial, anunciando o requintado prazer da leitura dos posts de um arquitecto alemão a pensar na nossa língua. Sigo com muito interesse a rubrica «Playmate da Semana».


Nu (Rodin)
Playmate da segunda semana de Junho de 2004

Quinta-feira, Novembro 11, 2004

A luminosidade das sombras


Conjunto de ahuehuetes
(Fotografia de Juan Rulfo)

Como si Rulfo - para decirlo con palabras de Carlos Fuentes- se asomase fuera de las tumbas de Comala para descubrir la luminosidad de las sombras.

Quarta-feira, Novembro 10, 2004

O cinema impossível

Há tempos, e sem ter reflectido muito sobre o assunto, escrevia eu a propósito de Pedro Páramo, de Juan Rulfo, que me parecia um livro cinematográfico, cheio de sons audíveis e imagens visíveis, mas de difícil adaptação ao cinema.
Pedro Páramo é essencialmente um livro tecido pelas vozes dos fantasmas e dos mortos. E os fantasmas não têm corpo.
Na reunião da Comunidade de Leitores sobre a obra, a discussão girou muito em torno do factor de perturbação da leitura instituído pela presença esmagadora destas personagens sem corpo material, e pelo estilhaçamento das categorias tradicionais de espaço e tempo que essa imaterialidade desencadeia no texto.
Uma das linhas de força mais dinâmicas e marcantes deste romance relaciona-se inequivocamente com o esboroamento de todas as imagens que este estilhaçamento das categorias tradicionais acaba por implicar.

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O esboroamento das imagens

O livro termina com este parágrafo:

«[Pedro Páramo] Apoiou-se nos braços de Damiana Cisneros e tentou caminhar. Alguns passos depois, caiu, suplicando por dentro; mas sem dizer uma só palavra. Deu um golpe seco contra a terra e foi-se desmoronando como se fosse um montão de pedras.» (p.115)

Para além deste passo, muitos outros testemunham esta desintegração dinâmica, mas talvez nenhum tão impressionante e tão paradoxalmente belo como o das palavras do delírio de Susana (a mulher amada por Pedro Páramo) pouco antes de morrer:

«Tenho a boca cheia de terra. [...] Tenho a boca cheia de ti, da tua boca. [...] Trago saliva espumosa; mastigo torrões repletos de vermes que me enchem a garganta e raspam a parede do palato... A minha boca desfaz-se, retorcendo-se em esgares, perfurada pelos dentes que a retalham e devoram. O nariz amolece. A gelatina dos olhos derrete-se. Os cabelos ardem numa só chama...» (p. 105)

(continua)

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Terça-feira, Novembro 09, 2004

Micheliny Verunschk


Num artigo do Público de hoje, Jorge Marmelo, chama a atenção para a (surpreendente) presença da poeta Micheliny Verunschk na lista dos dez finalistas do Prémio PT de Literatura Brasileira, com o livro Geografia Íntima do Deserto:

«Micheliny Verunschk é a principal surpresa entre os dez finalistas do Prémio PT de Literatura Brasileira. Tem 32 anos, é a única mulher entre os candidatos ao galardão e conseguiu este feito com o seu livro de estreia [...]. Há não muito tempo, porém, Micheliny era apenas uma professora de História no município pernambucano de Arcoverde, que escrevia poemas e os enviava para jornais e revistas. Acabou por ser descoberta na internet, quando alguns dos seus versos foram notados»

Óvulos de pó

Fiquei curiosa, e fui procurar coisas sobre Micheliny Verunschk. Encontrei esta página com alguns poemas e bastante informação sobre a obra desta escritora para quem a poesia «é cubo mágico. Lembra daqueles cubos que você fica armando até que as cores todas se encontrem em todas asfaces? Pois é, poesia é isso para mim e o grande barato é que nem sempre dá pra montar e vencer o cubo. Acho que há um certo misticismo nisso, que alguns podem chamar de engenharia

Gostei bastante dos poemas «Âmbar» e «Cartório do 2° ofício» («Óvulos de pó/Que ajunto/No bojo do avental/Para tentar/Saciar a fome»).

Onde foi palavra resta a severa forma do vazio

E também achei interessante esta questão da «poesia da intimidade» mas não «intimista» ou «com intimidades», abordada num texto do crítico João Alexandre Barbosa sobre esta poesia:

«Eis, portanto, um interessante e aparente paradoxo: uma poesia da intimidade, como esta sem dúvida é, não é necessariamente uma poesia intimista ou de intimidades.
E isso porque a intimidade está antes no difícil e delicado jogo entre a experiência pessoal e a construção pela linguagem de um espaço de traduções recíprocas, em que as reverberações léxicas, sintáticas e sonoras não deixam brechas para o caos que costuma se apossar das expressões de intimidades

Darkness

Deixo aqui o poema «Darkness», de que gostei particularmente.

«A solidão,
essa tempestade,
esse gozo às avessas,

esse jeito de eternidade
que as coisas adquirem

mesmo sendo apenas vidro.
Essas cartas ardendo
no estômago das gavetas,

essas plumas
que surgem quando se apagam
as últimas luzes do dia
.
Tudo faz a noite mais longa,
visão de uma sombra
sobre um berço.
Não há resposta
e o labirinto é o falso,
os lábios são falsos,
somente abismo,
absinto verdadeiro.

O sono,
grande placa de cerâmica,

e o tempo,
demônio a ranger sobre o infinito

Micheliny Verunschk

Segunda-feira, Novembro 08, 2004

Y Miedos da las Noches Veladores


«Cortiço e Bruxas»
(Desenho de Hieronimus Bosch)


«Nada nem nenhum
guarda garante o sono,
senão o medo que vela
à cabeceira.

Noites preenchidas de demónios
e quimeras.

A candeia quase extinta
à míngua de azeite
é que fabrica as sombras.

Depois, pela manhã,
lambo as feridas,
penteio-me como se
tivesse dormido, como se

não fosse nada


A. M. Pires Cabral
in Como se Bosch Tivesse Enlouquecido
(João Azevedo Editor)

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Quinta-feira, Novembro 04, 2004

now you hear now I know

O aniversário do Epicentro, Juan Rulfo, Pedro Páramo e a reunião da Comunidade de Leitores de ontem, o filme Suspicion, e a imagem de Cary Grant com um dúbio e luminoso copo de leite (na colecção de Clássicos em DVD do Público), uma entrevista a José Gil, a revista BZKmag, o número de páginas e o tamanho da fonte do romance que terei de ler para a próxima reunião da Comunidade de Leitores, os livros Como se Bosch Tivesse Enlouquecido, de A. M. Pires Cabral, e Aracne, de António Franco Alexandre.
Há uma coisa que os sintagmas do parágrafo anterior têm em comum: todos eles são assuntos sobre os quais vou tentar escrever.
Na próxima semana. Se arranjar tempo e cabecita.
Até lá, deixem-me só dizer que a música que se ouve no fim do filme «Before Sunset» é lindíssima.

Quarta-feira, Novembro 03, 2004

E pronto.

Já me estragaram o dia.
Nem sei bem o que dizer.
Todos o dias ia ali buscar informação preciosa, e agora abre-se um vazio.
De certeza que continuamos a ver-nos por aí, mas era muito mais fácil saber onde encontrá-los com o blogue em funcionamento!
E deixem-me só dizer que acredito no regresso. Há regresso.

Terça-feira, Novembro 02, 2004

La Piel en la Mirada

«La Piel en la Mirada» é o título de uma exposição de Juan José Molina que reúne seis anos de fotografia em que o artista plástico procurou traçar uma espécie de cartografia da vida ou atlas do corpo humano a partir da noção de que a pele e o corpo são elementos desconhecidos para nós, que tão frequentemente os tapamos, tentamos escamotear ou simplesmente deixar de ver, mesmo em frente ao espelho.
À medida que avançamos pelas salas desta exposição, acontece-nos mais do que ver: somos verdadeiramente interpelados por corpos de ambos os sexos e de todas as faixas etárias.
Mas a Molina não bastava expor corpos não normalizados (e, portanto, habitualmente pouco presentes nas imagens que nos rodeiam). Por isso, pediu a cada um dos retratados que escrevesse um comentário sobre a experiência. Abaixo dos retratos, podemos observar a caligrafia dos que responderam ao apelo, e ler as palavras suscitadas pela afirmação e reconhecimento do próprio corpo, nu, na imagem.

No Centro Português de Fotografia.

Coisas de que os corpos e as caligrafias falam

Da verdade
- «por que con el cuerpo no se puede ocultar nuestra verdadera identidad, lo que somos realmente. Todo se ve: la desgracia, la pereza, la generosidad, los defectos y virtudes.»

Da liberdade
- «Hay muy pocos momentos [...] em que una se puede expresar libremente y mostrarse como realmente se ve y se siente [...]. Este es uno de eses momentos .»

Do tempo
- «en mi piel puedo leer en donde estoy, que hice ayer, y por donde andaré mañana.»

- «Nunca volveré a ser la mujer de la fotografía.»

Da sabedoria
- «Por favor permitid que vuestros cuerpos se expresen. Son más sabios que vosotros.»

De revelações
- «Percibir que formas parte de tu quadro, siendo tú la obra di arte...»

Do olhar
- «Quién mira a quién?»
- «Eres ya tú, o eres ya también el que te mira?»
- «El cuerpo que vuela dejando la piel. y la mirada. La piel que se va. y en el cientro, por siempre, queda la mirada»
- «en el preciso momento del disparo, tu mismo ya no seas el de siempre o el que crees ser, sino um hombre expuesto a todas las miradas.»

E fazem

Constatações
- «Despojarse de la ropa para darse cuenta que lo dificil es desnudar la palabra.»
- «ni te escondes ni te defiendes»

Confissões
«Me hubiera gustado atreverme más.»

Afirmações

- «Remendado como está, lo respeto y cuido con esmero, porque al igual que tú, forma parte del todo y es un punto de luz [...]. Sencillamente soy, yo soy eso.»

- «Estoy viva


E vocês, que escreveriam?