No sábado estive fora do Porto
À medida que a noite cai, vão-se ultimando os preparativos. Rega-se este longo tapete de materiais alados para que assente e acalme, varre-se em torno. Nos muros das casas, e pelo caminho, vão sendo colocadas lamparinas para assinalar o percurso, assim marcado a pontos de luz, como uma espécie de aeroporto hesitante.
Além disso, todos os participantes na procissão devem tratar de arranjar uma vela acesa para levar.
Quando era pequenina, também participei uma vez com a minha avó numa procissão destas, e lembro-me de ser preciso ter muito cuidado para evitar que a cera derretida das velas nos caísse a escaldar sobre a mão. Às vezes caía.
Dantes, as pessoas cantavam ou rezavam em murmúrio na procissão. Ouvia-se-lhes os passos sombrios sobre as pétalas, e a arrastar no escuro. Ontem havia um speaker, o speaker levava um microfone, e tentava comandar a multidão.
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