seta despedida

blogue de Alexandra Barreto sobre palavras, imagens e pessoas setadespedida@yahoo.co.uk

Quarta-feira, Dezembro 31, 2003

Mantras para a passagem de ano

Em vez de pensar em doze desejos para exigir às badaladas da passagem de ano, habituei-me a seleccionar uma espécie de mantra para ir repetindo interiormente nesses momentos em que o ano anterior costuma desfilar com uma nitidez brutal de relâmpago pelos meus olhos, como se estivesse a afogar-me.
Desta vez lembrei-me de uma coisa que um querido professor de Literatura Inglesa me disse, há alguns anos atrás: «Ah! Já está a sentir-se totalmente perdida! Isso é bom sinal! Isso é muito bom sinal!».
Tentarei concentrar-me na parte do «Isso é bom sinal! Isso é muito bom sinal!».

Segunda-feira, Dezembro 29, 2003

Manhã tenebrosa de chuva miudinha

De regresso ao trabalho, enquanto me esforçava por perceber quem era e o que tinha feito da minha vida para estar acordada tão cedo, juro que entrevi através das grades e das pálpebras semicerradas um pinguim a vaguear por entre as árvores e os arbustos de camélias brancas e cor-de-rosa do jardim do Palácio de Cristal.
Depois disso, e antes de tomar dois cafés, ainda avistei um gato totalmente branco e com ar angustiado a tentar atravessar a rua, mas foi ao longe e não tenho a certeza se era um gato verdadeiro.

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Quem precisa de Paris?

O Poder da Iluminação é uma loja perto da estação da Trindade. Este ano os proprietários aproveitaram para decorar o exterior com vários conjuntos de luzes de árvore de Natal que piscam e emitem musiquinhas como se alguém tivesse perdido 50 telemóveis de toque não polifónico, desatando a ligar-lhes porque a sua sobrevivência dependia de conseguir localizá-los.
No passeio do outro lado da rua, quando são interceptados por essas melodias dissonantes que se sobrepõem ao ruído do trânsito da cidade e dos seus pensamentos mais íntimos, os transeuntes parecem tão surpreendidos como turistas no Louvre, ao fundo de umas escadas, a verem a Vitória de Samotrácia pela primeira vez.
É assim o Porto: a luz e a música estão à nossa espera e tomam-nos de assalto em cada esquina.

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Domingo, Dezembro 21, 2003

Mensagem de Natal do Seta Despedida

Passarei os próximos dias fora do Porto e longe do computador.
Por isso, aproveito o momento e o espírito natalício para saudar não só os autores dos blogues aqui à direita, mas também todos aqueles que se dão ao trabalho de visitar, comentar e mandar emails para o Seta Despedida. Muito obrigada por me inspirarem e ajudarem a pensar todos os dias.

Espero regressar um pouco antes de 2004, e com o cérebro menos esfrangalhado.
Bom Natal.

Sábado, Dezembro 20, 2003

Histórias de Natal

Hoje, no Cidade do Porto, o Pai Natal ajudou-me a vestir o casaco enquanto dizia «O Pai Natal é sempre um cavalheiro.».
E umas criancinhas que vinham em sua perseguição estacaram, tão atónitas como eu, mas ainda mais defraudadas.

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Sexta-feira, Dezembro 19, 2003

Filmes imperfeitos

Para mim, uma das cenas mais comoventes do filme Culpa Humana (The Human Stain) passa-se no concerto a que as duas personagens principais assistem e em que Faunia Farley (Nicole Kidman) observa e hesita em tocar na nuca enrugada de Coleman Silk (Anthony Hopkins).
Tenho uma amiga que viu nessas imagens e nessas rugas as marcas da passagem do tempo. Mas aí fica claro que não é fácil entregar a verdade que só nós conhecemos sobre nós próprios, sabendo que baixar as defesas equivale a aceitar ficar em carne viva, e, nessas circunstâncias, qualquer espécie de toque, nosso ou do outro, vai doer para sempre (mesmo que seja bem-intencionado, mesmo que aconteça por acaso, mesmo que seja temporário, mesmo que não passe de um engano).

O título em inglês provavelmente também tem a ver com essa nódoa ou marca que não desaparece: a marca do humano, capaz de contaminar um corvo, condenando-o a viver numa gaiola só porque se aproximou excessivamente das pessoas e deixou de saber falar a linguagem dos outros corvos como estes a falavam.
Nós percebemos muito de gaiolas.

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O invólucro

«Tinha duas vidas: uma pública, à vista de todos e conhecida por todos os que precisavam de a conhecer, uma vida cheia da verdade convencional, igualzinha à vida dos seus amigos e conhecidos, e tinha outra vida - a secreta. [...] tudo o que para ele era importante, interessante, necessário, o cerne da sua vida, passava-se às escondidas dos outros, e tudo o que era a mentira da sua vida, o invólucro onde se metia para não mostrar a verdade, [...] estava à vista.»

«A Senhora do Cãozinho», Contos de Tchékhov, Vol. II, p. 284

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Em defesa da imperfeição

Não faço questão de ler sempre «bons livros», «grandes livros». Não me rendo incondicionalmente aos filmes «bem feitos». Gosto de filmes imperfeitos. Gosto de livros imperfeitos. Gosto de pessoas imperfeitas.

Quinta-feira, Dezembro 18, 2003

Dedicatórias

Dado o apreço que o Francisco Frazão manifestou pela escrita de Bernardo Carvalho, aproveito para lhe dedicar esta breve notícia que sai hoje no Público:

«Bernardo Carvalho foi distinguido com o Prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte 2003 pelo seu livro "Mongólia", depois de em Novembro ter dividido com Dalton Trevisan ("Pico na Veia") o Prémio Portugal Telecom de Literatura brasileira, com o romance "Nove Noites". Este galardão foi atribuído pela primeira vez e é o mais importante prémio literário do Brasil.»

Segunda-feira, Dezembro 15, 2003

Domingos de manhã

No lago de Serralves há um cisne branco que sabe ler os pensamentos das pessoas que o observam.
Fixa-as com muita atenção enquanto se dirige a elas lentamente sobre a água.
Nesse percurso quase se sente o tempo a passar em direcção à tarde.

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Coisas maravilhosas para fazer aos domingos à tarde no Porto

Andar à porrada por causa do Pai Natal:

«Os fatos disponíveis na Rotunda da Boavista [...] esgotaram em pouco tempo: quem se tinha inscrito ao longo da semana conseguiu segurar uma farda, quem não tinha talão sujeitou-se. [...] os talões não sobraram para todos: poucos minutos antes do início do desfile, uma pequena multidão parecia mesmo inconformada com a situação e chegou a ponderar "mandar abaixo a barraca" onde se processava a distribuição dos fatos. "O nosso país é mesmo assim: um país de cunhas! Os próprios responsáveis da organização é que roubam as fardas para depois as vender", desabafou Rosa Ferreira antes de virar costas à concentração.»
(in «Desfile Juntou 5443 Pais Natal na Baixa do Porto», Público)

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Domingo, Dezembro 14, 2003

Motores de viagem

«Estava obcecado por um lugar, mas não sabia onde ficava.»

(Mongólia de Bernardo Carvalho, Livros Cotovia, p. 79)

Estratégias de sobrevivência

«O desconforto o levava a assumir com naturalidade o papel de adversário. Debatia-se com o mundo.» (p. 65)

Mongólia é um livro sobre a viagem.
Bernardo Carvalho mostra-nos viajantes em confronto com o desconhecido e explora a forma como o seu desconforto e estranheza funcionam como motores de inquietação, de especulações e de imaginação que os ajudam a prosseguir.
E faz-nos pensar que, quando viajamos por sítios (ou conceitos, ou experiências) que não conhecemos, é muitas vezes sobre o terreno movediço das palavras que nos disseram ou vamos dizer sobre eles que nós avançamos.

O fim das viagens

E, no entanto, o fim de uma viagem pode bem ser o momento em que encaramos a pessoa que passamos a ser, apesar das nossas ficções, apesar das nossas palavras:

«Estou há dias sem me ver, há dias sem me olhar no espelho, e, de repente, é como se me visse sujo, magro, barbado, com o cabelo comprido, esfarrapado. Sou eu na porta, fora de mim. É o meu rosto em outro corpo, que se assusta ao me ver. [...] Temos algo em comum além da aparência, porque, como ele, também demoro a entender o que estou vendo.» (p. 228)

Sábado, Dezembro 13, 2003

As Invasões Bárbaras

É curioso como neste filme a consciência da imperfeição e do peso ou gravidade das pequenas e quotidianas escolhas degenera numa loquacidade ou verbosidade que às vezes se aproxima perigosamente da grandiloquência.
Entendo que a verbosidade e a grandiloquência funcionem como anticorpos, mas não sei bem se trabalham contra ou a favor da mortalidade.

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«nesta vida milhares de mortes se escondem: porém tememos a morte»

Para não me sentir tão indefesa, também eu fiz por me lembrar dos versos no início do terceiro acto da peça Medida por Medida (Measure for Measure) de Shakespeare:

«Tem a certeza da morte: tanto ela como a vida
Serão assim mais doces. Conversa assim com a vida:»

«[...] Tu não és tu
Pois existes em milhares de grãos de areia
Que têm origem no pó. [...]»

(trad. de M. Gomes da Torre, Campo das Letras)

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A Dignidade do Homem

Mas a defesa maior foi este texto (belíssimo, e talvez delirantemente optimista) sobre a natureza contraditória do ser humano que Pico de la Mirandola escreveu, um pouco antes de Shakespeare:

«Ni celeste, ni terrestre te hicimos, ni mortal ni inmortal, para que tú mismo, como modelador y escultor de ti mismo, más a tu gusto y honra, te forjes la forma que prefieras para ti. Podrás degenerar a lo inferior, con los brutos; podrás realzarte a la par de las cosas divinas, por tu misma decisión. [...] Al hombre, en su nacimiento, le infundió el Padre toda suerte de semillas, gérmenes de todo género de vida. Lo que cada cual cultivare, aquello florecerá y dará su fruto dentro de él.»

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Quinta-feira, Dezembro 11, 2003

A tradução genial que não consegue encontrar o seu texto

Eu sei que a expressão «to be on the warpath» aparece muitas vezes em contextos graves e sérios relacionados com guerras e conflitos legais ou económicos.
Mas é uma das minhas expressões inglesas preferidas: tem origem nos hábitos de guerra dos índios norte-americanos («warpath» equivale a «trilho de guerra») e, figuradamente, também se aplica a situações em que alguém anda à procura de alvos adequados para a sua fúria e/ou sarcasmo, e de sarilhos.
Secretamente, sempre desejei conseguir um dia encontrar o texto em que personagens iradas irrompessem como índios pelas salas e não parecesse mal traduzi-la por qualquer coisa como «andar à caça de escalpes».

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Quarta-feira, Dezembro 10, 2003

Alguns dos meus melhores sorrisos querubínicos perdidos para sempre

Ontem fiz anos.
Antes de sair de casa até treinei uns sorrisitos ao espelho, para o caso de virem a dar jeito durante o dia. E depois foi só cultivar a concórdia e evitar dar respostas tortas a monólogos filosofantes e inspirados sobre a passagem do tempo, «que não perdoa».

Ontem fui uma boa menina.
Hoje, hoje é que foi o descalabro total.

Segunda-feira, Dezembro 08, 2003

Mário de Carvalho

Deliciei-me com a entrevista de Tereza Coelho publicada no Mil Folhas desta semana!
Não resisto a destacar o parágrafo em que Mário de Carvalho fala das circunstâncias em que escreveu Fantasia Para Dois Coronéis e Uma Piscina (Caminho):

«Este livro foi escrito em grande parte no campo, até às 5 ou 6 da manhã, numa clareira, junto à floresta. Perto de Salvaterra de Magos. Tinha uma cadela comigo, e ia ouvindo todo o movimento daquele ciclo da floresta. Sabia quando chegava a coruja das torres, que tem um bafo, um arfar que domina tudo em volta - o grilo calava-se quando ela chegava. Um grilo não é alimento da coruja das torres, mas era sinal de respeito. Provavelmente, nessa altura os ratos estavam todos a esconder-se em todo o lado. Depois, ia nascendo o sol. E eu sentia que tinha fintado brilhantemente todas as solicitações que impedem um escritor de escrever.»

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Fantasias

Por si só, este parágrafo perfeito que eu agora vou mutilar traz implícito todo um interessante método de escrita, segundo o qual:
1. escrever implica sempre um combate (que se pode vencer ou perder) contra aquilo que impede de escrever;
2. escrever pode passar por se ser capaz de apreender e explorar tudo o que os sentidos atingem e permitem atingir (a floresta, os sons da coruja e do grilo, ...);
3. mas um escritor não se deixa limitar pelas insuficiências dos seus sentidos e do seu mundo, podendo imaginar e/ou fabricar tudo o resto (o respeito do grilo, os movimentos dos ratos, a ficção).

Sábado, Dezembro 06, 2003

O mundo real também tem direito à vida

Fim-de-semana sem computador.

Sexta-feira, Dezembro 05, 2003

A discreta insuficiência dos guarda-chuvas

Um guarda-chuva não nos abriga nem do amor, nem do tédio, nem do mundo, nem do tempo, nem do poema.

Damn!

Ser demasiado ansiosa impede-me sempre, mas sempre, de me transformar numa verdadeira depressiva.

Love Actually

Mesmo que tentasse, acho que não conseguiria dizer mal de um filme que começa e acaba num aeroporto.

Quarta-feira, Dezembro 03, 2003

Meses preferidos

Na loja do Museu Alphonse Mucha, em Praga, havia uma cesta com 12 porta-chaves de má qualidade mas com ilustrações muito bonitas de cada um dos meses do ano, feitas pelo artista provavelmente para um calendário.
Como conheço muitas pessoas quase tão desorganizadas como eu, achei que ali estavam algumas boas prendas.
Mesmo para mim trouxe o mês de Janeiro; gostei da ilustração com uma figura feminina a que é impossível ver o rosto porque está a olhar para aquilo que deixa para trás, uma espécie de floresta ou jardim com árvores escuras e nuas de aparência maligna.
Por isso, agora tenho um porta-chaves que de vez em quando gosta de fingir que é uma metáfora: sempre que o deixo cair, abre-se em dois, e deixa fugir o cartão com a imagem.

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Uma amendoeira no Inverno

Há um poema lindíssimo de D. H. Lawrence (Almond Blossom) em que se fala de amendoeiras no último e no primeiro mês do ano.
Em Dezembro, as amendoeiras, conhecedoras do mais mortífero veneno, parecem ganchos de ferro a emergir da terra. Mas deve haver algo nas longas noites de Janeiro que lhes dá confiança e as recorda de florir, porque, em Janeiro, o próprio ferro se transfigura para ser capaz de dar à luz.

«Iron, but unforgotten,
Iron, dawn-hearted,
Ever beating dawn-heart, enveloped in iron against the exile,
against the ages.
See it come forth in blossom
From the snow remembering heart
In long-nighted January [...]»

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Terça-feira, Dezembro 02, 2003

Coisas que as pessoas fazem depois de fins-de-semana prolongados

Trazem de casa anjinhos natalícios para decorar a secretária.
Estranham que alguém mais chateado continue a tentar arrancar-lhes as asas mesmo depois de lhe ser dito que aquelas asas não são «das que saem».

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Segunda-feira, Dezembro 01, 2003

Just be

Por causa de uma mensagem muito bonita que recebi a respeito do filme Swimming Pool, lembrei-me que se conta que quando Luchino Visconti trabalhava com Charlotte Rampling em Os Malditos (La Caduta Degli Dei) lhe dizia:

«Não quero que representes. Limita-te a ser. Just be.»

Por estas e por outras, tenho para mim que não era só de cinema que Visconti percebia.

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The Big Kahuna

A propósito da questão ideias/princípios versus experiência/realidade, tenho pensado bastante num filme intitulado The Big Kahuna, que não sei ao certo se chegou a estrear comercialmente em Portugal.

É um filme baseado numa peça (de Roger Rueff) que vi por acaso na televisão, numa noite de passagem de ano particularmente terrível, como só as noites de passagem de ano às vezes conseguem ser. Se bem me lembro, conta a história de três vendedores, e a intriga gira em torno do confronto dos ideais do mais jovem com a experiência e a sabedoria dos outro dois e, posteriormente, do embate dos ideais, da experiência e da sabedoria de cada um deles com a realidade.
Uma das questões mais interessantes que coloca tem a ver com a noção de que a realidade é sempre superior àquilo que pensamos que sabemos e até àquilo em que acreditamos. A realidade consegue quase sempre contradizer-nos como nesta parte do diálogo:

Bob Walker: Throw me in the water and see if I can swim
Larry Mann: I think you're missing the point here Bob, we're about to throw you off a cliff and see if you can fly.

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Por erro e tentativa

Mas a minha parte preferida do filme talvez seja aquela em que Phil Cooper (Danny De Vito) diz:

«I'm saying you've already done plenty of things to regret, you just don't know what they are.
It's when you discover them, when you see the folly in something you've done, and you wish that you had it do over, but you know you can't, because it's too late.
So you pick that thing up, and carry it with you to remind you that life goes on, the world will spin without you, you really don't matter in the end. Then you will gain character [...].»

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