Para mim, uma das cenas mais comoventes do filme
Culpa Humana (
The Human Stain) passa-se no concerto a que as duas personagens principais assistem e em que Faunia Farley (Nicole Kidman) observa e hesita em tocar na nuca enrugada de Coleman Silk (Anthony Hopkins).
Tenho uma amiga que viu nessas imagens e nessas rugas as marcas da passagem do tempo. Mas aí fica claro que não é fácil entregar a verdade que só nós conhecemos sobre nós próprios, sabendo que baixar as defesas equivale a aceitar ficar em carne viva, e, nessas circunstâncias, qualquer espécie de toque, nosso ou do outro, vai doer para sempre (mesmo que seja bem-intencionado, mesmo que aconteça por acaso, mesmo que seja temporário, mesmo que não passe de um engano).
O título em inglês provavelmente também tem a ver com essa nódoa ou marca que não desaparece: a marca do humano, capaz de contaminar um corvo, condenando-o a viver numa gaiola só porque se aproximou excessivamente das pessoas e deixou de saber falar a linguagem dos outros corvos como estes a falavam.
Nós percebemos muito de gaiolas.
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